“Indústria não deve medir esforços na gestão de riscos e impactos”

Tanto no Brasil, como no mundo, há dependência direta do uso de minerais na cadeia produtiva de quase tudo que nos rodeia, o que gera inúmeros benefícios econômicos, mas é necessário investimento em melhoria contínua de processos já existentes

Bombeiros retiram o corpo de uma das vítimas da tragédia em Brumadinho - AFP

Por Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS)

Nós, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), nos solidarizamos com as famílias das vítimas de Brumadinho e nos colocamos lado a lado a todas as instâncias da sociedade que possam vir a contribuir para que novas tragédias como essa não voltem a ocorrer. É importante, nesse momento, prestar reconhecimento ao trabalho de bombeiros, policiais, socorristas e voluntários que, em condições precárias, vem buscando amenizar a tragédia e prestar auxílio aos atingidos. 

Tanto no Brasil, como no mundo, sabemos que há dependência direta do uso de minerais na cadeia produtiva de quase tudo que nos rodeia, o que gera inúmeros benefícios econômicos. No entanto, essa indústria não deve medir esforços para alcançar um novo patamar de gestão de riscos e impactos, o que envolve maior investimento em melhoria contínua de processos já existentes, e, sobretudo, em novas tecnologias que demandarão das empresas maiores e inescapáveis investimentos. A decisão é técnica, econômica e, sobretudo, humana e social.  

É imperativo que sejam tomadas todas as medidas cabíveis urgentemente para  resolver a situação de centenas de barragens em condições semelhantes a de Mariana e Brumadinho, com a realização de inspeções nas documentações e auditorias realizadas. 

Diante desse contexto, o CEBDS entende que é importante:
a) A Vale empregar, no curto, médio e longo prazos, todos os esforços – humanos, financeiros, logísticos, de comunicação – no auxílio a todas as vítimas diretas e indiretas da tragédia de Brumadinho;
b) Que sejam mapeados da forma mais rápida, consistente e multilateral possível, todos os impactos sociais, ambientais e econômicos do rompimento da barragem do Córrego do Feijão;
c) Que sejam apuradas, por todas as instâncias competentes, com todo o rigor, as responsabilidades diretas e indiretas pelo ocorrido;
d) Em função das responsabilidades e impactos apurados, que sejam definidas com celeridade, formas de reparação e compensação; 
e) Que se faça uma ampla revisão da legislação visando o fortalecimento dos processos técnicos e legais do setor; 
f) A fim de evitar que novas tragédias ocorram é fundamental que todas as esferas dos governos federal, estaduais e municipais, da sociedade civil organizada e academia envidem esforços na busca de soluções socioambientais. 

Nosso pensamento está com as pessoas que sofrem em Brumadinho, e esperamos que as perdas sejam mitigadas ao máximo e o mais rápido possível, assim como os danos à fauna e a flora. 

O CEBDS continuará acompanhando de perto o caso, buscando, dentro de sua esfera de atuação, a melhor forma de contribuir para que incidentes semelhantes jamais se repitam.

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