Cérebro de bebê humano está ativo durante mais tempo no sono

Atividade ocorre também ao longo do sono tranquilo, ou não REM, e estaria ligada a um aprendizado do cérebro sobre o próprio corpo

Bebê dormindo: hora de atividade cerebral. Crédito: Piqsels

Os bebês humanos fazem ainda mais do que pensávamos durante o sono. Um novo estudo de pesquisadores da Universidade de Iowa (EUA) fornece mais informações sobre a coordenação que ocorre entre o cérebro e o corpo dos bebês enquanto eles dormem. O trabalho foi apresentado na revista Current Biology.

Os pesquisadores estudaram durante anos os movimentos de contração de bebês durante o sono REM e como essas contrações contribuem para a capacidade dos bebês de coordenar seus movimentos corporais. No trabalho recente, os cientistas relatam que a partir dos três meses de idade, os bebês apresentam um aumento pronunciado nas contrações musculares durante um segundo estágio principal do sono, chamado sono tranquilo, ou não REM (NREM).

“Isso foi completamente surpreendente e, pelo que sabemos, exclusivo para humanos e bebês humanos”, disse Mark Blumberg, catedrático do Departamento de Ciências Psicológicas e do Cérebro da Universidade de Iowa e um dos autores do estudo. “Estávamos vendo coisas que não podíamos explicar, com base em nossos anos de observação em ratos bebês e no que está disponível na literatura científica.”

Movimentos surpreendentes

Os pesquisadores registraram 22 bebês dormindo, com idades entre uma semana e sete meses, e suas contrações. No início, os cientistas prestaram atenção apenas aos espasmos que ocorrem junto com o sono REM, de acordo com sua pesquisa anterior de espasmos associados ao sono REM em outros mamíferos.

Mas então a surpresa aconteceu: os pesquisadores notaram que os bebês também estavam movendo os membros fora do sono REM.

“As contrações pareciam exatamente iguais”, disse Greta Sokoloff, pesquisadora do Departamento de Ciências Psicológicas e do Cérebro da Universidade de Iowa e autora principal do estudo. “Não esperávamos ver espasmos durante o sono tranquilo. Afinal, o sono tranquilo tem esse nome porque os humanos e outros animais normalmente não se movem durante esse estado.”

Como os pesquisadores registraram as ondas cerebrais nos bebês adormecidos, eles conseguiram estudar a atividade cerebral associada às contrações musculares. Como esperado, eles notaram que, durante o sono tranquilo, os bebês produziam grandes oscilações cerebrais – chamadas de fusos do sono – cerca de uma vez a cada 10 segundos.

Os fusos do sono oferecem uma janela para a coordenação do cérebro com seu sistema motor. Os pesquisadores descobriram que a taxa de fusos do sono em crianças aumentou a partir de cerca de três meses a sete meses de idade. Além disso, os fusos estavam concentrados ao longo da faixa sensório-motora, onde o córtex processa informações sensoriais e motoras. Esses fatos sobre os fusos do sono foram particularmente importantes quando os pesquisadores descobriram que os fusos e as contrações do sono estavam sincronizados.

Novo caminho

“Os fusos do sono têm sido amplamente associados ao aprendizado e à memória”, disse Sokoloff. “Portanto, nossas descobertas nos sugeriram que o que os bebês estão fazendo é aprender sobre seus corpos por meio de espasmos durante um período de sono que antes pensávamos ser definido pelo silêncio comportamental.”

A descoberta abre um novo caminho de pesquisa sobre a comunicação cérebro-corpo que ocorre enquanto os bebês estão dormindo.

“Nossa descoberta pode refletir algo importante sobre as contribuições corticais para o controle motor”, disse Blumberg. “Os bebês precisam integrar o cérebro ao corpo, para que o sistema esteja configurado e funcionando corretamente. Nem tudo está conectado no nascimento. Há muito desenvolvimento que deve acontecer após o nascimento. O que pensamos que estamos vendo é uma nova maneira de integração entre as diferentes partes do cérebro e do corpo.”

Os pesquisadores observam que o estudo tem um tamanho de amostra pequeno, especialmente em idades mais jovens. Além disso os bebês foram monitorados durante curtos períodos de sono diurno. Os pesquisadores planejam recrutar mais bebês e estudar seu sono durante o dia e a noite para confirmar as descobertas.

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