Cheiro de vida em Marte

A sonda ExoMars, lançada em março, vai “farejar” metano no ar e no solo de Marte para saber se a presença do gás é indício de vida no planeta

A existência de vida como a conhecemos está associada à emissão de metano, e é exatamente esse gás o principal objetivo da única expedição a Marte lançada este ano. A sonda ExoMars, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), partiu em março com o objetivo de descobrir se há metano em volume considerável na superfície ou na atmosfera do planeta. A localização de pontos com grande concentração de metano poderá indicar lugares com maiores possibilidades de presença de vida, que passam a ser destinos em potencial para futuras missões a Marte.

“Essencialmente, nossa nave é um nariz gigante no céu”, afirma Jorge Vago, cientista do projeto ExoMars. “Vamos usá-lo para farejar a presença de metano em Marte e determinar se ele está sendo produzido por processos biológicos.”

Na Terra, o metano é liberado na atmosfera sobretudo por microrganismos como os que vivem no interior de bois. Se for flagrado pelo Trace Gas Orbiter (TGO), o detector altamente sensível levado pela ExoMars, o gás fornecerá uma evidência importante de que Marte tem ou teve vida.

A ExoMars deverá chegar ao planeta após sete meses de viagem. Ela ficará em órbita com o TGO, enquanto o pequeno módulo Schiaparelli (nome do astrônomo italiano do século 19 que desenhou os primeiros mapas de Marte) seguirá rumo à superfície marciana, com o objetivo de coletar dados relativos à descida e ao pouso para uma futura missão da ESA ao planeta, programada para 2018.

O TGO pesquisará a presença de metano em Marte de duas formas. A primeira será pela observação do planeta na alvorada e no crepúsculo, momentos em que a luz solar brilhará diretamente nos detectores do aparelho. Isso permitirá coletar informações detalhadas a respeito das quantidades do gás em altitudes diferentes acima da superfície marciana. A segunda forma será a observação direta da superfície, que permitirá mapear­ os locais onde o metano está presente.

O aparelho pode também detectar outros gases, fundamentais no estudo. “Se o metano é encontrado com hidrocarbonetos complexos, como propano ou etano, isso será uma forte indicação de que há processos biológicos envolvidos”, ressalta Vago. “Mas se acharmos metano na presença de gases como dióxido de enxofre, uma substância fortemente associada ao vulcanismo na Terra, esse será um sinal seguríssimo de que estamos lidando com metano que vem do solo e é um subproduto de processos geológicos.”

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