China manda missão à Lua para coletar e trazer rochas

Material reunido deverá chegar à Terra no início de dezembro

Amostra de rocha lunar coleta pela missão Apollo: o material trazido pela missão chinesa seria o primeiro colhido em mais de quatro décadas. Crédito: Shannon Moore/Wikimedia

A China deverá lançar amanhã (no Brasil, por volta de 17h25 de hoje) uma nave não tripulada à Lua com o objetivo de recolher amostras do solo do satélite e trazê-las para estudos na Terra. É a primeira missão do gênero desde os anos 1970. Se for bem-sucedida, ela tornará o país asiático o terceiro a conseguir esse feito, depois de Estados Unidos e União Soviética.

Denominada Chang’e-5, a missão faz parte de uma série de voos à Lua planejada pela Administração Espacial Nacional da China (CNSA). Até hoje, a empreitada mais ambiciosa dos chineses em nosso satélite natural havia sido o pouso de uma espaçonave no lado oculto, algo inédito até então.

O lançamento deverá ser feito do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, na ilha de Hainan, segundo o Space Launch Now, site que rastreia lançamentos de foguetes no mundo. A Chang’e-5 coletará cerca de 1,8 quilo de material em uma área ainda não explorada, durante um dia lunar (aproximadamente 14 dias da Terra). Com isso, evita-se que as temperaturas extremamente baixas da noite lunar danifiquem os componentes eletrônicos da sonda, informou a revista “Nature”.

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Atividade vulcânica

Segundo a Nasa, o material coletado chegará de paraquedas ao solo terrestre, em Siziwang, na Mongólia Interior (norte da China), provavelmente no início de dezembro.

A maior parte das amostras será armazenada no Observatório Astronômico Nacional, da Academia Chinesa de Ciências, em Pequim. Ainda não se sabe se esse material ou parte dele poderá deixar o país para pesquisas no exterior.

Segundo disse à “Nature” Xiao Long, geólogo planetário da Universidade de Geociências da China em Wuhan, as amostras coletadas podem ajudar os cientistas a compreender a atividade vulcânica na Lua e quando os vulcões lunares estiveram ativos pela última vez. A suspeita é que esse material poderá confirmar que os vulcões estiveram ativos bilhões de anos mais recentemente do que se pensava. Se isso for verdade, “reescreveremos a história da Lua”, afirmou Long.

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