Ciclone faz passagem histórica pela desértica Somália

Nunca satélites haviam registrado uma tempestade tão forte nesse país do leste da África; a média anual de chuvas na região foi ultrapassada em apenas dois dias

O Gati chega à Somália em 22 de novembro: evento histórico. Crédito: Earth Observatory/Lauren Dauphin/Nasa/GSFC/ EOSDIS/LANCE/GIBS/Worldview/ Suomi National Polar-orbiting Partnership

Em 22 de novembro de 2020, o ciclone Gati se tornou a tempestade mais forte a atingir a Somália desde que os registros de satélites começaram, há cinco décadas, de acordo com o site Earth Observatory, da Nasa. O Gati atingiu a costa com ventos máximos sustentados de 170 quilômetros por hora, uma tempestade de categoria 2 na escala Saffir-Simpson. A tempestade trouxe mais de um ano de chuva para a região em dois dias. As autoridades locais relatam que pelo menos oito pessoas foram mortas e milhares tiveram de deixar suas casas.

A imagem em cores naturais acima mostra o Gati antes de tocar o solo em Ras Hafun (o ponto mais oriental da África) em 22 de novembro. A imagem foi adquirida pelo Visible Infrared Imaging Radiometer Suite (VIIRS) no satélite Suomi NPP.

Em 12 horas, os ventos do Gati se intensificaram de 65 quilômetros para 185 quilômetros por hora – o maior aumento nesse intervalo de tempo para qualquer tempestade tropical já registrado no Oceano Índico. A tempestade se intensificou rapidamente devido ao seu pequeno tamanho, às águas quentes do Oceano Índico e ao baixo cisalhamento do vento (uma rápida variação de corrente no vento). Embora a tempestade tenha enfraquecido um pouco antes de tocar o solo, o Gati trouxe chuvas excepcionais para o norte da Somália.

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Inundações repentinas

O mapa acima mostra o acúmulo de chuva de 21 a 23 de novembro de 2020. Esses dados são estimativas de sensoriamento remoto provenientes do Integrated Multi-Satellite Retrievals for GPM (IMERG), um produto da missão Global Precipitation Measurement (GPM). A quantidade de chuva local pode ser significativamente maior quando medida do solo.

Grande parte do norte da Somália, que normalmente recebe cerca de 10 centímetros de chuva em um ano inteiro, recebeu pelo menos isso em dois dias. A cidade de Bosaso registrou 12,8 centímetros em 24 horas. Chuvas e ventos fortes causaram inundações repentinas ao longo das áreas costeiras e do interior e destruíram edifícios. As aldeias no distrito de Iskushuban, que inclui Ras Hafun, foram as mais atingidas. Desde então, o Gati enfraqueceu e rumou para o Golfo de Áden.

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