Cidade de São Paulo tem 90 novas áreas de Mata Atlântica desmatadas nos últimos 5 anos

Estima-se que 46 dos 90 focos de desmatamento somam quase 3 milhões de metros quadrados e calcula-se que quase meio milhão de árvores foram derrubadas nessas áreas

desmatamento Mata Atlântica
Área na rua Joaquim Assunção, Sítio Laredo, Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo. Imagen de 25/05/2017, à esquerda, e de 18/04/2019, à direita

A cidade de São Paulo tem 90 novas áreas de Mata Atlântica desmatada nos últimos cinco anos. Destas áreas, 46 tiveram suas medidas somadas em 2.952.950 metros quadrados.

Se for estimado uma árvore para cada 6 m², essas 46 áreas estudadas já abrigaram
492.271 árvores, quase meio milhão.

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Esses dados são de um dossiê divulgado pelo gabinete do vereador Gilberto Natalini (PV). Segundo o relatório, grande parte desses focos de desmatamento foram realizados para a implementação de loteamentos clandestinos.

Outro motivo para a degradação é a exploração do descarte de entulho e de restos de material de construção, em locais conhecidos como áreas de bota-fora. Segundo o dossiê, nesses casos são duas práticas criminosas simultâneas: a eliminação da cobertura vegetal e a contaminação do solo.

Uma das áreas mais afetadas é Parelheiros, na extrema Zona Sul da cidade. Segundo o dossiê, a cobertura vegetal é especialmente importante naquela região para preservar a área de manancial que abastece as Represas da Guarapiranga e Billings, cruciais
para o fornecimento de água à população da Região Metropolitana de São Paulo. A mata também ajuda a manter as temperaturas mais baixas e a reduzir os níveis de poluição.

O dossiê ainda destaca que a prefeitura de São Paulo e o governo do estado realizaram, entre 2005 e 2012, os programas “Defesa das Águas” e “Córrego Limpo”, aos quais diversos órgãos públicos se juntaram.

Como resultado dos programas, houve um congelamento de invasões em áreas de
manancial. Além disso, foram executadas obras de reurbanização em terrenos de risco e foi posta em prática a transferência de moradores de habitações precárias para locais seguros.

O relatório diz que as duas administrações municipais que se seguiram não
priorizaram a preservação das águas e das matas.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que, em 2019, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) realizou mais de 6 mil rondas, mais de 600 desocupações e mais de 50 ações para coibir o descarte irregular de resíduos nas áreas ambientais ameaçadas.

O governo de São Paulo afirmou que, em 2019, realizou 588 fiscalizações que resultaram em 90 autos de infração ambiental nas Áreas de Proteção e Recuperação de Mananciais nas zonas Sul e Norte da cidade.

O vereador Gilberto Natalini entrou, nesta quarta-feira (21), com uma interpelação na vara da Fazenda Pública solicitando informações oficiais do prefeito Bruno Covas e do governador João Dória sobre as ações da prefeitura e do governo do estado sobre a devastação do remanescente de Mata Atlântica em São Paulo.

A ação pede que as autoridades “informem onde podem ser encontradas, acessadas e disponibilizadas informações, dados e documentos referentes às denúncias recebidas, denúncias atendidas, relatórios de fiscalizações realizadas, multas lavradas, demolições executadas, com extração de cópias.”

A interpelação também pede que o prefeito e o governador informem quais as ações específicas, administrativas e/ou judiciais que foram realizadas com relação às 90 invasões com desmatamento indicadas no dossiê compilado pelo gabinete do governador, fornecendo os respectivos números dos processos administrativos e judiciais, e informando onde se encontram para consulta e extração de cópias.