Cientistas descobrem arco de ilhas antigo no centro da Ásia

Pesquisadores encontraram nas montanhas Tien Shan um complexo específico de rochas que se formou no Oceano Cambriano há cerca de 500 milhões de anos

A bucólica paisagem acima ocorre numa das áreas do arco insular descoberto pelos pesquisadores nas montanhas Tien Shan. Crédito: SPbU

O esforço de décadas de cientistas da Universidade de São Petersburgo (Rússia) no estudo da geologia da Ásia Central, muitas vezes em colaboração com cientistas de outras partes do mundo, tem rendido muitas descobertas relevantes. Um bom número delas se refere às peculiaridades de Tien Shan. Esse grande sistema de cordilheiras se espalha pela região fronteiriça entre Cazaquistão, Quirguistão e Xinjiang (China ocidental). O objetivo desses estudos é decifrar as estruturas do Cinturão Orogênico da Ásia Central, um dos maiores sistemas montanhosos antigos da Terra.

Uma das recentes novidades da equipe internacional nesse sentido é a descoberta de um agrupamento rochoso específico, característico dos arcos de ilhas oceânicas modernas. As rochas desse complexo, encontradas nas montanhas Songkultau, no Quirguistão, foram formadas no Oceano Cambriano há cerca de 500 milhões de anos. Isso é confirmado pela descoberta de adakitas. Essas rochas foram descritas pela primeira vez na Ilha Adak, que faz parte do arco das Ilhas Aleutas, no Oceano Pacífico Norte.

O estudo foi apresentado em artigo publicado na revista “Geoscience Frontiers”.

Importância das adakitas

“Estudar as condições de formação de rochas antigas é necessário não apenas para um melhor entendimento da história geológica da região. É importante conhecer isso para fins mais práticos, especialmente considerando-se que grandes depósitos de minério são frequentemente associados a adakitas. Um exemplo disso são os famosos depósitos de cobre e ouro no Chile”, disse Dmitry Konopelko, professor associado na Universidade de São Petersburgo e chefe da equipe de pesquisa.

A composição única dos granitos de Songkultau chamou a atenção dos cientistas durante o trabalho de mapeamento regional realizado em 2007. Segundo o professor Reimar Seltmann, chefe do Centro de Estudos Minerais da Rússia e da Eurásia Central (Cercams) no Museu de História Natural de Londres, isso motivou pesquisas adicionais. Elas levaram à descoberta de fragmentos até então desconhecidos do complexo do arco insular.

Os professores Johan De Grave, da Universidade de Ghent (Bélgica), e Stijn Glorie, da Universidade de Adelaide (Austrália), estiveram envolvidos no trabalho de campo nas montanhas Tien Shan. Medições analíticas e processamento de dados de campo foram realizados por Inna Safonova, pesquisadora associada da Universidade do Estado de Novosibirsk (Rússia), e Alla Dolgopolova, do Museu de História Natural de Londres.

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