Cientistas descobrem por que há tanta biodiversidade nos oceanos

Os oceanos atuais possuem tantas espécies porque muitas delas apresentam menores taxas de extinção em intervalos muito longos de tempo

O desenvolvimento “lento e constante” de linhagens ao longo do tempo é fator crucial associado à maior diversidade de espécies oceânicas. Crédito: Robert Linsdell/Wikimedia

Um novo estudo de cientistas americanos, publicado na revista “Science”, deu uma ideia de por que nos oceanos do mundo existe tamanha quantidade de espécies, uma questão que há muito tempo é foco de pesquisas paleontológicas.

Os tipos mais diversos de animais nos oceanos modernos, como peixes, moluscos e crustáceos, diversificaram-se lenta e firmemente por longos períodos de tempo e foram protegidos contra a extinção, concluíram os pesquisadores.

Segundo Andrew Bush, autor do artigo e professor associado da Universidade de Connecticut, saber como a biodiversidade evoluiu ao longo da história da Terra pode ajudar os humanos a pensar em questões futuras com perturbações ambientais, como as mudanças climáticas. “A paleontologia pode nos ajudar a identificar características que ajudaram as espécies a sobreviver e prosperar no passado, inclusive durante extinções em massa”, afirmou ele. “Felizmente, pesquisas como essa podem nos ajudar a planejar os efeitos da perturbação ambiental nas próximas décadas.”

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Flexibilidade e extinção

O estudo examinou aproximadamente 20 mil gêneros (grupos de espécies relacionadas) de animais marinhos fósseis nos últimos 500 milhões de anos e aproximadamente 30 mil gêneros de animais marinhos vivos. As descobertas mostram claramente que as espécies dos mais diversos grupos de animais também tendem a ser mais móveis e mais variadas na maneira como se alimentam e vivem, observou Matthew Knope, autor do estudo, professor assistente de biologia da Universidade do Havaí em Hilo.

“Ser membro de um grupo ecologicamente flexível o torna resistente à extinção, principalmente durante extinções em massa”, diz ele. “Os oceanos que vemos hoje são preenchidos com uma variedade estonteante de espécies em grupos como peixes, artrópodes e moluscos, não porque tenham maiores taxas de originação do que os grupos menos comuns, mas porque apresentam menores taxas de extinção em intervalos muito longos de tempo.”

O desenvolvimento “lento e constante” de linhagens ao longo do tempo tem sido um fator chave para determinar quais linhagens alcançaram a maior diversidade. De acordo com Michal Kowalewski, professor de paleontologia de invertebrados da Universidade da Flórida, que não participou do estudo, o trabalho destaca “o valor dos dados paleontológicos para avaliar questões centrais da biologia”.

“Talvez a fábula da tartaruga e da lebre seja adequada para explicar a diversificação de animais marinhos: alguns grupos saltaram para uma diversidade precoce, apenas sendo superados por outros grupos que eram mais ecologicamente diversos e menos evolutivamente voláteis, com taxas de diversificação constantes e fortes resistência à extinção em massa”, acrescentou Knope.

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