Cientistas e índios pedem à UE pressão comercial sobre Brasil

Carta publicada na revista científica "Science" e assinada por 607 cientistas e organizações indígenas pede à União Europeia que condicione o acordo comercial que vem negociando com o país ao cumprimento de critérios socioambientais

Floresta amazônia dá lugar a pasto no Mato Grosso / Foto: Thiago Foresti / Science
Floresta amazônia dá lugar a pasto no Mato Grosso / Foto: Thiago Foresti / Science

Fonte: Observatório do Clima

A revista “Science”, um dos dois periódicos científicos mais importantes do mundo, chega às bancas nesta sexta-feira (26) com um apelo maciço da comunidade científica europeia aos governos do continente: não deixem que o desmonte ambiental do governo Bolsonaro passe impune nas relações comerciais.

Uma carta assinada por 607 cientistas de todo o continente e pelas organizações indígenas Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) e Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, membro do OC) pede à União Europeia que condicione o acordo comercial que vem negociando com o país (via Mercosul) ao cumprimento de critérios socioambientais.

“Ao trabalhar no sentido de desmantelar as políticas contra o desmatamento, a nova administração do Brasil ameaça direitos dos indígenas e as áreas naturais que eles protegem”, afirma a carta, numa crítica à gestão ambiental do governo e às sucessivas investidas que Bolsonaro tem feito contra a Funai e as terras indígenas.

O grupo, que tem entre seus líderes o brasileiro Tiago Reis, da Universidade Católica de Louvain (Bélgica), propõe que a UE condicione as negociações comerciais a três fatores: o cumprimento da Declaração da ONU sobre Direitos Indígenas, a melhora dos processos de rastreamento de commodities e a consulta aos indígenas e comunidades locais para definir critérios socioambientais para commodities.

A carta e a lista de signatários estão disponíveis no site da “Science”.

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