Cientistas encontram novas evidências de modificação craniana intencional

A modificação craniana intencional é uma tradição antiga usada para redesenhar o formato da cabeça. Porém, a motivação da prática é desconhecida

Uma nova pesquisa revelou as evidências mais antigas de modificação craniana intencional (MCI) encontradas no extremo leste. Os crânios de formato inusitado foram encontrados no sítio arqueológico de Houtaomuga, em Jilin, na China.

O estudo é de autoria da Universidade de Jilin, na China, da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura, do Hospital Union da Universidade de Jilin e da Faculdade de Odontologia da Universidade Texas A&M (EUA).

Segundo os pesquisadores, a modificação craniana intencional é uma tradição antiga usada para redesenhar o formato da cabeça. Porém, a motivação da prática é desconhecida.

O estudo analisou 25 esqueletos do período Neolítico (7000 a.C. a 2500 a.C) encontrados em Houtaomuga. Os crânios foram mensurados e submetidos a exames de tomografia computadorizada, para serem transformados em modelos em 3D.

Dos 25 crânios, 11 deles apresentavam sinais de modificação craniana, de ambos os gêneros e tanto jovens quanto adultos crescidos. As idades dos crânios foram estimadas entre 3 e 10 mil anos.

De acordo com os estudiosos, esses são os casos de MCI mais antigos já encontrados no extremo Leste e o caso de prática mais duradoura de MCI em um único sítio arqueológico, durando por 7 mil anos no período Neolítico.

“Esse tipo de prática é encontrado em todos os continentes habitados”, diz Qian Wang, professor assistente da Faculdade de Odontologia da Universidade Texas A&M (EUA). Casos de modificação craniana já foram encontrados em todos os continentes. Na Austrália há evidências da prática datando de 13 mil anos, e no Chile de 10 mil anos.

Wang lidera uma equipe internacional que documenta sistematicamente status de saúde, desenvolvimento e doenças de resto humanos de populações asiáticas dos últimos 10 mil anos. “Por meio desse trabalho procuramos examinar como a saúde humana se modifica com o tempo e varia conforme o ambiente, a economia, o clima, o estilo de vida e distúrbio sociais.

O estudo afirma que, embora as motivações para esse tipo de modificação sejam incertas, teorias sobre o objetivo das MCI envolvem crenças de que elas melhorariam a fertilidade, eram sinônimo de status social ou apenas era considerado algo bonito.

Como nem todos os crânios apresentavam modificação, isso indica que era um comportamento seletivo. Para os pesquisadores, essa distinção de identidade, talvez dependendo da afiliação familiar ou status socioeconomico, podem estar entre as razões para a modificação craniana.

No entanto, as tumbas onde os esqueletos foram encontrados eram verticais e iguais tanto para os indivíduos com modificação, quanto para os sem modificação.

Um indivíduo chamou a atenção dos pesquisadores. Era um menino de cerca de três anos, com o crânio modificado, que foi enterrado com muitos objetos funerários, o que sugere que essa criança vinha de uma família/classe rica ou mais privilegiada.

Outro esqueleto que chamou a atenção foi o de uma mulher adulta que apresentava listras em seu crânio e um ornamento feito de conchas preso ao tornozelo, fazendo deste o indivíduo mais peculiar entre todos.

Para os pesquisadores, os novos materiais encontrados em Houtaomuga podem ajudar a desvendar os segredos sobre as origens, difusão e significado da MCI. Os estudos no sítio continuarão, para explorar mais os significados e funções da modificação craniana.

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