Cientistas ensinam ratos a pilotar minicarros

Experiência americana pode ajudar no tratamento de problemas como doença de Parkinson e depressão

Um piloto e seu veículo: os ratos que viveram em um ambiente mais desafiador em termos intelectuais se saíram melhor nos testes. Crédito: Kelly Lambert/Universidade de Richmond

Dirigir carros não é exclusividade humana: pesquisadores da Universidade de Richmond (EUA) ensinaram ratos a conduzir pequenos veículos. A experiência foi relatada em artigo na revista “Behavioral Brain Research”.

Liderados pela professora Kelly Lambert, os pesquisadores construíram carros minúsculos a partir de um recipiente de plástico para alimentos e barras de alumínio e cobre. O veículo foi projetado para que o “motorista” pudesse movê-lo tocando ou agarrando uma barra e pará-lo soltando a barra.

A pesquisa envolveu cinco ratos machos adultos jovens que viveram em um ambiente enriquecido (ou seja, ambiente com objetos interessantes para interagir) por quatro meses e seis ratos criados em habitações laboratoriais padrão, que serviram de controle. O treinamento de direção começou quando os animais tinham aproximadamente 5 meses de idade.

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Comparados aos animais de controle, os ratos com ambiente enriquecido demonstraram um aprendizado mais robusto no desempenho ao volante. “Descobrimos que ratos alojados em um ambiente complexo e enriquecido aprenderam a tarefa de dirigir, mas os ratos alojados em gaiolas de laboratório padrão tiveram problemas para aprender a tarefa (ou seja, eles falharam no teste de direção)”, disse Lambert. “Isso significa que o ambiente complexo levou a mais flexibilidade comportamental e neuroplasticidade.”

Menos estresse

Os ratos também apresentaram aumento da produção do hormônio desidroepiandrosterona, que age contra o estresse. Isso combina com uma pesquisa anterior de Lambert, na qual ela descobriu que os ratos ficam menos estressados ao executar tarefas mais complexas, como cavar para encontrar alimentos enterrados.

Lambert avalia que a pesquisa pode ajudar os cientistas a entender melhor os efeitos da doença de Parkinson e da depressão. Agora, a equipe planeja experiências para entender como os ratos aprendem a dirigir, por que isso parece reduzir o estresse e quais áreas do cérebro estão envolvidas no processo.