Cientistas identificam enzima responsável pelo odor corporal

Enzima produzida pela bactéria Staphylococcus hominis já existia antes mesmo do surgimento do Homo sapiens

Descoberta inglesa deve levar a desodorantes mais eficientes. Crédito: Pixabay/CC0 Public Domain

Os cientistas descobriram uma enzima específica associada ao pungente cheiro característico que chamamos de odor corporal (body odor, ou BO, na sigla em inglês).

Pesquisadores da Universidade de York (Reino Unido) haviam mostrado anteriormente que apenas algumas bactérias em sua axila são os verdadeiros culpados por trás do odor corporal. A mesma equipe, em colaboração com cientistas da multinacional de bens de consumo Unilever, deu um passo adiante. Ela descobriu agora uma “enzima BO” única, encontrada apenas dentro dessas bactérias e responsável pelo odor característico da axila. Seu estudo foi publicadoa na revista “Scientific Reports”.

A nova pesquisa destaca como determinadas bactérias desenvolveram uma enzima especializada para produzir algumas das principais moléculas que reconhecemos como odor corporal.

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A coprimeira autora dra. Michelle Rudden, do grupo do professor Gavin Thomas, do Departamento de Biologia da Universidade de York, disse: “Decifrar a estrutura dessa ‘enzima BO’ nos permitiu identificar o estágio molecular dentro de certas bactérias que produzem as moléculas de odor. Esse é um avanço importante no entendimento de como o odor corporal funciona. Ele permitirá o desenvolvimento de inibidores direcionados que interrompem a produção de odor corporal na fonte sem interromper o microbioma da axila”.

Micróbio-chave

A axila de cada pessoa hospeda uma comunidade diversificada de bactérias que faz parte do seu microbioma natural da pele. Essa pesquisa destaca a bactéria Staphylococcus hominis como um dos principais micróbios por trás do odor corporal.

Além disso, os pesquisadores dizem que essa “enzima BO” estava presente na S. hominis muito antes do surgimento do Homo sapiens como espécie. Isso sugere que o odor corporal existia antes da evolução dos seres humanos modernos. Ele pode inclusive ter tido um papel importante na comunicação social entre primatas ancestrais.

Esse estudo representa uma descoberta importante para a área de pesquisa e desenvolvimento da Unilever, possibilitada por sua colaboração acadêmico-industrial de longa data com a Universidade de York. O coautor da Unilever, dr. Gordon James, disse: “Esta pesquisa foi realmente uma grande surpresa. Foi fascinante descobrir que uma enzima essencial para a formação de odores existe em apenas algumas poucas bactérias da axila – e evoluiu há dezenas de milhões de anos”.

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