Cientistas identificam nova espécie de dinossauro

Pelas análises do fóssil, encontrado em depósitos marinhos de 72 milhões de anos no norte do Japão, pesquisadores acreditam que o Kamuysaurus japonicus tinha "bico de pato" e crista

Nova espécie de dinossauro, a Kamuysaurus japonicus, descrita por pesquisadores da Universidade de Hokkaido / Imagem: Kobayashi Y., et al, Scientific Reports, September 5, 2019

Cientistas identificaram uma nova espécie de dinossauro com “bico de pato”. O animal, cujo esqueleto foi encontrado quase completo a partir de depósitos marinhos de 72 milhões de anos na cidade de Mukawa, no norte do Japão, pertence a um novo gênero e espécie de dinossauro hadrossaurídeo herbívoro e foi batizado de Kamuysaurus japonicus.

Um estudo liderado pelo professor Yoshitsugu Kobayashi, do Museu da Universidade de Hokkaido, realizou análises comparativas e filogenéticas em 350 ossos e 70 táxons de hadrossaurídeos, o que levou à descoberta de que o dinossauro pertence ao clado (grupo de organismos originados de um único ancestral comum) do Edmontosaurini e está intimamente relacionado ao Kerberosaurus descoberto na Rússia e ao Laiyangosaurus encontrado na China.

A equipe também descobriu que o Kamuysaurus japonicus tem características físicas únicas, que não são compartilhadas por outros dinossauros no clado Edmontosaurini.

De acordo com o estudo, o fóssil encontrado era de um dinossauro adulto com 9 anos ou mais, que media oito metros de comprimento e pesava quatro ou 5,3 toneladas (dependendo de estar andando com duas ou quatro pernas, respectivamente) quando estava vivo.

O osso frontal, uma parte do crânio, tem uma grande faceta articular conectada ao osso nasal, sugerindo que o dinossauro poderia ter uma crista. Acredita-se que a crista se pareça com a crista fina e plana dos braquilofossauros, cujos fósseis foram desenterrados na América do Norte.

O estudo também esclareceu a origem do clado Edmontosaurini e como ele pode ter migrado. Seus últimos ancestrais comuns se espalharam amplamente pela Ásia e América do Norte, que eram conectados pelo que hoje é o Alasca, permitindo que eles viajassem entre os dois continentes. Entre eles, o clado de Kamuysaurus, Kerberosaurus e Laiyangosaurus habitou o Extremo Oriente durante o período Campaniano, a quinta das seis eras da época do final do Cretáceo, antes de evoluir independentemente.

As análises também apontaram a possibilidade de os ancestrais dos hadrossaurídeos e suas subfamílias, Hadrosaurinae e Lambeosaurinae, preferirem habitar áreas próximas ao oceano, sugerindo que o ambiente da costa foi um fator importante na diversificação dos hadrossaurídeos em sua evolução inicial, especialmente no norte América.

A pesquisa foi publicada na revista “Scientific Reports”.