Cientistas produzem mapa geológico completo da intrigante lua Titã

O maior satélite de Saturno possui dunas na região equatorial, lagos de metano nos polos e planícies úmidas nas latitudes médias

Titã: muitos processos geológicos semelhantes aos da Terra. Crédito: Nasa/JPL/Universidade do Arizona/Universidade de Idaho

Cientistas apresentaram o primeiro mapa geológico global de Titã, a maior e mais importante lua de Saturno. Apresentado em um artigo na revista “Nature Astronomy”, o mapa, produzido a partir de dados coletados pela sonda Cassini, deverá ajudar os pesquisadores a compreender a história e a evolução de Titã.

Titã é o único satélite do Sistema Solar dotado de uma atmosfera densa e um ciclo hidrológico completo baseado em metano, o que produz um impacto significativo em sua superfície e sua evolução. Mas sua atmosfera repleta de nuvens dificulta a visão direta da superfície, e isso torna mais complicado obter uma visão global da geologia dessa lua.

A geóloga planetária e vulcanologista carioca Rosaly Lopes, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês) da Nasa, e colegas se basearam em dados da Cassini para reconstruir e mapear a superfície de Titã, incluindo seus polos. Eles identificaram seis formas geológicas principais e determinam sua idade e distribuição relativas em todo o globo. Essas formas variam de planícies e dunas de areia a lagos de metano líquido, terras altas antigas, crateras de impacto e “terrenos labirínticos” que parecem platôs, profundamente cortados por calhas de rios.

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Importância da latitude

Segundo o mapa produzido, a geologia de Titã está fortemente ligada à latitude. Os terrenos mais jovens são campos de dunas que dominam o equador, enquanto os lagos e “terrenos labirínticos” se concentram nos polos. Mas a maior parte de Titã é coberta por planícies úmidas sem características marcantes, espalhadas em latitudes médias.

Uma explicação possível para isso, diz Lopes, é que isso está relacionado a variações nas chuvas de metano. Os polos do satélite são úmidos o suficiente para manter corpos líquidos de metano, enquanto o árido clima equatorial mantém intactas as dunas formatadas pelo vento. Já as latitudes médias são muito secas para apresentar lagos, mas úmidas o suficiente para que os materiais de superfície se consolidem nas planícies.

“Agora que temos esse mapa geológico completo, precisamos descobrir detalhes como o vento está soprando”, diz Lopes. Perguntada se tudo o que foi descoberto lembra bastante a Terra, ela concorda: “Chamamos Titã de Terra do Sistema Solar, porque possui muitos processos geológicos que a própria Terra tem”.