Cientistas recriam anatomia de hominídeo de Denisova

Essa é a primeira reconstrução da anatomia dos denisovanos que, em alguns aspectos, se pareciam com os neandertais e, em outros traços, eram semelhantes aos humanos modernos

O hominídeo de Denisova viveu no mesmo período do que os humanos modernos e os neandertais. A ciência já desvendou uma quantidade razoável de informações sobre os neandertais, mas ainda sabe muito pouco sobre o hominídeo de Denisova.

Até hoje, os fósseis de denisovanos encontrados incluem apenas três dentes, um osso de dedo mínimo e uma mandíbula inferior. Porém, cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém conseguiram reconstruir a aparência do hominídeo de Denisova usando padrões de metilação, ou mudanças químicas, encontradas na análise de seu DNA.

Os pesquisadores compararam as mudanças químicas no DNA entre as três espécies, denisovanos, humanos e neandertais, e encontraram regiões no genoma do hominídeo de Denisova que metilaram de maneira diferente. A seguir, eles relacionaram essas mudanças químicas a características anatômicas, baseando-se em informações já conhecidas sobre doenças humanas nas quais os genes perderam sua função.

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Ao fazer isso, diz David Gokhman, um dos autores da pesquisa, os cientistas conseguiram prever quais partes do esqueleto são afetadas por quais regulações genéticas e de qual maneira aquela parte do esqueleto sofreria uma modificação. Resultando em, por exemplo, um osso de fêmur mais longo ou mais curto.

Características únicas e semelhanças

Essa é a primeira reconstrução da anatomia dos denisovanos. Segundo outro dos autores do estudo, Liran Carmel, em alguns aspectos o hominídeo de Denisova se parecia com os neandertais. Em outros traços, era semelhante aos humanos. Mas eles também apresentam características únicas de sua espécie. Por exemplo, seu crânio era mais largo do que o dos humanos modernos e dos neandertais.

Fósseis de denisovanos foram encontrados pela primeira vez em 2008. Eles viviam na Sibéria e na Ásia Ocidental, e foram extintos há aproximadamente 50 mil anos. A causa do desaparecimento deles ainda não foi descoberta.

Cerca de 6% dos melanésios, povo originário da Nova Guiné, e dos aborígenes australianos possuem DNA de origem denisovana. Além disso, a herança genética do hominídeo de Denisova provavelmente contribuiu para a habilidade do povo tibetano de viver em altitudes elevadas e para a capacidade dos inuítes, povo da região Ártica do Canadá, Alasca e Groenlândia, de suportar temperaturas congelantes.