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Ciência18/05/2022

Como a dieta transformou o cão antigo em animal de estimação

Dingo australiano: mandíbula intermediária entre os lobos e os cães modernos. Crédito: Pixabay/CC0 Public Domain

18/05/22 - 12h09min

Um estudo internacional publicado na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences descreveu a forma de 525 mandíbulas de cães antigos de sítios arqueológicos europeus. O estudo comparou esses restos de 5 mil a 10 mil anos de idade com uma amostra de referência de cães modernos, lobos, bem como os dingos australianos.


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A forma da mandíbula inferior é influenciada pela ação mecânica dos músculos que a conectam ao crânio. Portanto, a forma da mandíbula reflete a dieta do animal. A mandíbula inferior também é suficientemente robusta para sobreviver ao enterro e à fossilização, fornecendo uma visão valiosa sobre as dietas de animais que morreram há muito tempo.

“Os cães antigos são fisicamente distintos dos cães modernos, com as principais diferenças na curvatura do corpo sob o dente carniceiro (cortante), sugerindo que eles se alimentavam de alimentos mais duros e resistentes do que a maioria dos cães modernos”, disse a drª Colline Brassard, do CNRS – Museu Nacional de História Natural de Paris (França), principal autora do estudo.

Os cães modernos têm uma dieta onívora. Eles têm várias cópias do gene da amilase que aumenta sua capacidade de digerir amido – o carboidrato encontrado em plantas como grãos –, uma característica que foi interpretada como refletindo sua vida ao lado de humanos e consumindo alimentos de origem antropogênica.

Forma intermediária

Segundo a drª Brassard, é provável que uma mudança de uma dieta carnívora para a dieta onívora contendo amido de cães domesticados modernos possa explicar as mudanças evidentes em sua forma de mandíbula.

“Surpreendentemente, a forma das mandíbulas dos dingos não se agrupava com os cães antigos, mas era intermediária entre os lobos e os cães modernos. Os cães antigos também mostravam características indicando que tinham uma força de mordida maior do que os cães modernos, o que também teria sido útil para defesa ou caça”, disse a professora Trish Fleming, da Universidade Murdoch (Austrália), que colaborou no trabalho, comparando cães europeus antigos com dingos.


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O dingo foi levado para a Austrália em algum momento cerca de 3.600 a 5.000 anos atrás e viveu isolado até cerca de 200 anos atrás, quando os europeus levaram cães modernos para o continente.

Os dingos têm uma dieta carnívora, com sua dieta principal sendo cangurus e wallabies, e recentemente foi demonstrado que eles têm uma única cópia do gene da amilase. Isso apoia sua separação da linhagem moderna de cães antes dessa adaptação a uma dieta onívora.

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