Como vencer as catástrofes naturais

Terremotos, enchentes e erupções vulcânicas causam prejuízos humanos e materiais crescentes, conforme aumenta a população mundial.

A Mãe-Terra parece estar abandonada. O impacto dos riscos geológicos (ver quadro à pág. 54) nas nossas vidas e na economia é enorme e nunca deixará de existir. Inundações, tsunamis, tempestades, secas, incêndios, erupções vulcânicas, terremotos, deslizamentos e afundamentos de terra são responsáveis, todos os anos, pela perda de milhares de vidas, originando idêntico número de feridos e destruindo lares e meios de subsistência.

As infra-estruturas danificadas e os prêmios dos seguros fazem aumentar os prejuízos. Os países desenvolvidos são afetados, fundamentalmente, no nível financeiro. O impacto humano – mortos e feridos – concentra-se nos países em desenvolvimento. À medida que a população mundial aumenta, verifica- se cada vez mais a concentração de pessoas em áreas de elevada periculosidade e, como tal, os impactos dos desastres naturais aumentam.

Os geocientistas precisam fazer uma abordagem multidisciplinar e interagir com os governos e outras entidades de forma a ajudá-los a definir políticas e a traçar planos que aumentem a conscientização pública, minimizando os riscos e reduzindo a vulnerabilidade das pessoas.

EM 2006 comemoraram-se mil anos da erupção do monte Merapi, na Indonésia, que destruiu a antiga cultura Mataram, na parte central da ilha de Java. Ao bloquear o fluxo do rio Progo, ela o levou a formar um grande lago que cobriu o famoso templo de Borobudur e a destruir muitas outras edificações. Grande parte da Indonésia se encontra num arco vulcânico, proporcionando um laboratório natural no qual os geólogos podem estudar os poderosos agentes de criação e destruição de forma a servir e proteger o povo local.

A Áustria e os Alpes têm significado idêntico para muitos, embora, numa perspectiva geológica, os tipos de rocha envolvidos na construção da sua famosa paisagem sejam muito diferentes. Esses tipos vão desde as rochas de embasamento cristalino (surgidas há cerca de 2 bilhões de anos), alteradas pela temperatura e pela pressão durante vários episódios da formação de montanhas, a seqüências sedimentares ricas em fósseis das eras paleozóica e mesozóica (entre 542 e 65,5 milhões de anos atrás), seguidas de sedimentos fragmentários bem mais jovens, depositados nas bacias formadas nas massas de terra que se projetaram durante o levantamento da cadeia alpina.

O QUE SÃO RISCOS GEOLÓGICOS?

“Riscos geológicos” é um termo que engloba fenômenos geológicos como deslizamentos de terras e erupções vulcânicas; os riscos hidrometeorológicos, do tipo inundações e marés extremas; e riscos geofísicos, como os terremotos.

Qualquer processo da Terra que coloque em risco a vida humana pode ser considerado um risco geológico. Seu âmbito varia desde os acontecimentos locais (por exemplo, a queda de blocos de rochas) aos globais, que podem ameaçar a totalidade da espécie humana, como o impacto de asteróides e a ocorrência de grandes erupções em vulcões.

Cada unidade geológica na direção oeste-leste é caracterizada por uma história e evolução tectônica específicas. Dependendo das rochas que constituem cada unidade, todas são, no entanto, mais ou menos afetadas por deslizamentos e outras formas de movimentos de massa que colocam sérios problemas às populações e infra-estruturas. Ter mapas geológicos detalhados ajuda a minimizar tais riscos – a questão mais premente com que os Serviços Geológicos da Áustria se defrontam, assim como instituições congêneres de todo o mundo.

Tendo que desempenhar seu papel numa sociedade freqüentemente turbulenta e imprevisível, os geocientistas podem contribuir para a tomada de decisões através de um quadro de gestão de riscos com o objetivo de verificar questões técnicas e sociais relacionadas à sustentabilidade. Isso significa:

Antecipar os riscos naturais e de origem humana, disponibilizando consultoria. Determinar as medidas a tomar em situações potencialmente perigosas usando técnicas de avaliação de riscos.

Identificar as conseqüências através da catalogação sistemática de periculosidades.

Efetuar avaliações de potenciais situações usando modelos computacionais adequados.

Avaliar as probabilidades envolvidas no cálculo da vulnerabilidade e na exposição das pessoas e bens ao risco.

Comparar os riscos relativamente a critérios predeterminados de forma a avaliar as necessidades em futuras ações.

Determinar opções viáveis e atuar de forma a controlar, reduzir e minimizar o risco.

Divulgar os resultados das investigações científicas.

Instalar sistemas de monitoramento destinados a coletar e compilar dados relevantes para determinar a sustentabilidade e os riscos.

Integrar o conhecimento e a compreensão de todas as disciplinas científicas relevantes de forma a permitir que a sociedade examine a sustentabilidade e os riscos das políticas e planos propostos.

Os processos terrestres que representam risco para a vida humana são denominados riscos geológicos. Entre eles se incluem os movimentos de massa, como deslizamentos de terra (esquerda), e fenômenos hidrometeorológicos, como marés extremas e inundações (acima).

Embora os métodos científicos racionais prometam uma ciência aprimorada do risco e da sustentabilidade, os cientistas não devem esquecer que as políticas públicas serão sempre fortemente influenciadas pelo público e pela agenda política do dia. Isso significa que a implementação da gestão de riscos (de forma que permita viver de forma sustentável com uma periculosidade sempre presente) só pode ser alcançada mediante a interação da teoria e da prática.

Embora os métodos científicos racionais prometam uma ciência aprimorada do risco e da sustentabilidade, os cientistas não devem esquecer que as políticas públicas serão sempre fortemente influenciadas pelo público e pela agenda política do dia. Isso significa que a implementação da gestão de riscos (de forma que permita viver de forma sustentável com uma periculosidade sempre presente) só pode ser alcançada mediante a interação da teoria e da prática.

OS DESASTRES NATURAIS remetem a quatro questões essenciais:

1) Ao modificar a geosfera, a biosfera e a paisagem, o homem contribuiu para a ocorrência de certos desastres naturais e aumentou a vulnerabilidade da sociedade a esse tipo de ocorrência. De que forma isso aconteceu?

Esta questão diz respeito ao uso da terra, a certos padrões de desenvolvimento (por exemplo, a construção em encostas inclinadas, em solos instáveis, em planícies inundáveis) e ao crescimento insustentável das megacidades em zonas propícias a desastres naturais. Ela está relacionada ainda às diferenças culturais existentes em diversos padrões de desenvolvimento.

ATÉ CERTO PONTO, a informação básica necessária para responder a essas questões tem sido analisada no contexto de diversos projetos do International Geoscience Programme (IGCP) da International Union of Geological Sciences (IUGS) e da Unesco, além do International Geosphere-Biosphere Programme (IGBP) do International Council of Science (ICSU). Os projetos do IGCP, tais como “Catástrofes ambientais” e “Avaliação da periculosidade de deslizamento e patrimônio cultural”, exemplificam os novos caminhos da investigação com interesse para a sociedade. Projetos como o “Earth Surfaces Processes, Materials Use and Urban Development” (Espromud), do Scientific Committee on Problems of the Environment (Scope), o “Land Use and Land Cover Change” (LULCC), do IGBP, e o “International Human Dimensions Problem” (IHDP), sobre transformação industrial, examinam as mudanças realizadas pelo homem na biosfera, mas fazem-no no âmbito da mudança urbana ou do aquecimento global e alterações climáticas, em vez de centrá-lo na vulnerabilidade da sociedade aos desastres naturais.

UM ANO INTERNACIONAL DEDICADO AO PLANETA

A União Internacional das Ciências Geológicas (IUGS), que representa cerca de 250 mil geocientistas de 117 países, tomou a iniciativa de proclamar um Ano Internacional do Planeta Terra 2007-2009 com o subtítulo “Ciências da Terra para a Sociedade”.

Os propósitos salientam a relação entre a humanidade e o planeta, e demonstram quanto os geocientistas são importantes na criação de um futuro equilibrado e sustentável.

Proclamado através da ONU, o Ano Internacional foi considerado atividade central pela Divisão das Ciências da Terra da Unesco. Ele também é apoiado por organizações congêneres da IUGS, como a União Internacional de Geodesia e Geofísica (IUGG) e a União Geográfica Internacional (IGU), além do Conselho Internacional para a Ciência (ICSU).

Segundo as diretrizes da ONU para a proclamação de anos internacionais, os assuntos elegíveis devem corresponder a uma “preocupação prioritária de direitos políticos, sociais, econômicos, culturais, humanitários ou humanos”, envolvendo “todos (ou uma maioria) os países, independentemente do sistema econômico e social”, e deve “contribuir para o desenvolvimento da cooperação internacional na resolução de problemas globais”, dando especial atenção aos temas que afetam os países em desenvolvimento.

2) Que tecnologias e metodologias são necessárias para avaliar a vulnerabilidade de pessoas e lugares em relação aos desastres naturais?

Esta questão se relaciona à complexidade envolvida na integração de dados referentes a fenômenos físicos e sociais, assim como ao desenvolvimento de índices comparativos entre várias escalas espaciais. É difícil conseguir essa integração, pois os modelos mais adequados ainda aguardam desenvolvimento. A Comissão da International Geographical Union (IGU) sobre Periculosidade e Riscos (C-12) debruça-se sobre a vulnerabilidade social a desastres naturais e está definindo índices de vulnerabilidade de aplicação generalizada.

3) Como nossa capacidade atual para monitorar, prever e mitigar conseqüências varia de um risco geológico para outro? Que metodologias e novas tecnologias podem melhorar essa capacidade e, assim, ajudar na proteção civil em nível local e global?

Estas perguntas se relacionam ao papel das ciências naturais na disponibilização da informação básica necessária às tomadas de decisões políticas e governamentais. As questões estão sendo parcialmente tratadas pelo “Tema Desastres Geológicos” do Integrated Global Obser ving System (Igos). O relatório disponibilizado (ver http://dup.esrin.esa.it/igos-geohazards/ pdf/igos_report.zip) menciona que os cidadãos precisam conhecer o momento da ocorrência, a localização, a extensão, o comportamento provável e a duração dos desastres naturais. O Igos irá reduzir a diferença entre o que é conhecido e o que é preciso conhecer, a fim de melhorar os inventários, mapas e ferramentas de monitoramento de desastres naturais a serem disponibilizados às agências de monitoramento e consultoria.

Certos desastres naturais podem estar intimamente ligados a modificações feitas pelo homem na geosfera, na biosfera e na paisagem.

INICIATIVAS MULTILATERAIS igualmente importantes incluem a informação oferecida pelo Centre for the Epidemiology of Disasters (Cred) em http://www.cred.be e a base de dados organizada pelo Instituto Internacional de Investigação para a Previsão Climática em http://iri.columbia.edu/. Tomadas de posição nacionais relativas a questões que envolvem desastres naturais estão influenciando decisões políticas e dirigindo-se, diretamente, às necessidades públicas. Um exemplo disso é o relatório norte-americano USGS Circular 1244: National Landslide Hazards Mitigation Strategy – A Framework for Loss Reduction (em http://pubs.usgs.gov/ circ/c1244/). Uma detalhada base de dados norte-americana a respeito de desastres naturais e prejuízos por eles causados foi recentemente publicada em http://shledus.org/, disponibilizando, para todo o país, informação recolhida nos últimos 40 anos.

4) Quais são os obstáculos, para cada risco geológico, que impedem os governos (e outras entidades) de usar a informação sobre risco e vulnerabilidade de forma a criar políticas e planos de redução dos mesmos?

Esta pergunta se relaciona ao papel da ciência nas políticas públicas de tomada de decisão, incluindo a maneira como fatores como o risco e a incerteza, a qualidade e a quantidade de dados influenciam quem usa a informação, qual informação é necessária e com que objetivo ela é usada.

Em certa medida, a questão é tratada pelo Secretariado da Agência das Nações Unidas para a Estratégia Internacional de Redução de Desastres (UN-ISDR). O UN-ISDR publicou, na versão de 2004 do seu relatório Vivendo com o risco: revisão global das iniciativas de redução de desastres, informação sobre a gestão e a conscientização pública relacionadas aos riscos naturais. O UN-ISDR tem tido também um papel fundamental na organização da Conferência Mundial sobre Redução de Riscos (http://www.unisdr.org/eng/ wcdr/wcdr-index.htm, Kobe, Japão, 2005) como importante ponto de encontro de governos, analistas de políticas e decisores.

A importância da interação e da participação da comunidade foi salientada na Declaração do ICSU sobre “Redução dos Desastres Naturais: Comunidades Sustentáveis mais Seguras – Tomando Decisões sobre Riscos” (http:// www.iugg.org/ICSUposition.pdf).

Autores: Tom Beer (CSIRO, Austrália), com Peter Brobowsky (Geological Survey of Canada), Paolo Canuti (Universidade de Florença, Itália), Susan Cutter (Universidade da Carolina do Sul, EUA) e Stuart Marsh (British Geological Survey, Grã-Bretanha).

PARA SABER MAIS Site:

www.yearofplanetearth.org

LINKS ÚTEIS

www.unesco.org/photobank/exec/index.htm

(Banco de Imagens)

whc.unesco.org (Lista dos sítios do

Patrimônio da Humanidade)

www.unesco.org/mab/index.htm (Lista de

Reservas da Biosfera)

A Unesco recebe imagens do Patrimônio da

Humanidade e reservas de biosfera de todos

os países do mundo

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