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Ciência14/04/2022

Comportamento homossexual em grupo de macacos-prego é registrado

Apesar de ainda pouco numerosos, registros têm valor por levantar hipóteses iniciais que podem ser investigadas de forma sistematizada depois. O grupo de macacos-prego que habita o Parque Ecológico Tietê já vem sendo estudado há mais de 20 anos. Crédito: foto cedida pelo pesquisador

14/04/22 - 09h23min

Artigo no periódico científico Behaviour é o primeiro a trazer registros de comportamento homossexual em macacos-prego do gênero Sapajus fora de cativeiro. Foram quatro episódios de alguns segundos entre seis macacos diferentes, parte do grupo de 33 indivíduos da espécie Sapajus libidinosus que vivem no Parque Ecológico do Tietê, na Zona Leste de São Paulo.

As observações aconteceram de forma não planejada durante um experimento feito como parte da pesquisa de mestrado de Henrique Rufo, doutorando no Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia (IP) da USP, que estuda o aprendizado social de macacos-prego, com orientação do professor Eduardo Ottoni.

O pesquisador colocou duas caixas-problema de acrílico com alguns furos no topo e melado dentro no ambiente onde os macacos vivem, no Parque Ecológico do Tietê, buscando analisar como os animais iriam usar ferramentas para acessar o alimento e como esse aprendizado se espalharia socialmente. Enquanto os macacos eram gravados, houve quatro ocasiões nas quais um macaco macho se aproximou de outro macho que estava interagindo com uma das caixas, montou nele e começou a realizar atos sexuais.

Hipóteses iniciais

Rufo conta que a ideia de publicar esses registros veio quando a Behaviour publicou um chamamento para artigos de relatos anedóticos (ou seja, experimentos com um número de casos muito pequeno para poder embasar uma conclusão científica que pode ser generalizada) dentro da área do comportamento animal.

Até agora, só havia registro publicado de comportamento homossexual em macacos-prego do gênero Sapajus em cativeiro, onde machos foram observados montando outros machos quando estes foram reintroduzidos ao grupo após uma separação.

Apesar de os novos achados serem apenas anedóticos, o autor explica que eles têm valor por levantarem hipóteses iniciais que podem ser investigadas de forma sistematizada posteriormente. Um exemplo disso é que os casos observados incluem macacos juvenis montando em macacos adultos, sugerindo que talvez o comportamento sexual entre machos nessa espécie não tenha uma função de estabelecer dominância.

Interações sexuais entre primatas do mesmo sexo (que podem envolver a monta, o toque, estímulo oral ou a exibição dos genitais para um alvo específico) não são incomuns na natureza. Comportamentos desse tipo já foram observados em diversas espécies, como chimpanzés, babuínos, mandrils, langures, bonobos, gorilas, orangotangos na África e Eurásia e em saguis, macacos-aranha, macacos-de-cheiro, além dos macacos-prego, nas Américas.

Funções sociais

Essas interações podem ter várias funções sociais.  Em macacos-dourados e macacos-de-cheiro, montas e exibição de genitais, respectivamente, estão associadas a relações de dominância, mas isso não parece ser um fator-chave para a maioria das espécies. Bonobos, por exemplo, usam o sexo para solicitar partilha de comida e para gerenciar conflitos, acalmando os ânimos ou servindo como reconciliação após uma briga, algo também observado em macacos-prego do gênero Cebus.

“Vendo que existem poucos trabalhos direcionados ao campo do comportamento sexual entre indivíduos do mesmo sexo em macacos das Américas, esse artigo pode servir como um pontapé inicial para outros estudos mais aprofundados na discussão sobre o comportamento sexual de primatas”, ele explica, e ainda afirma ter planos de entrar em contato com outros pesquisadores da área para compilar vários registros pontuais como esse em um trabalho mais completo com potencial de indicar conclusões mais sólidas.

O artigo com esse relato é intitulado Anecdotic observations of homosexual behaviour among male capuchin monkeys (Sapajus sp.), de autoria de Henrique Rufo e Eduardo Ottoni, e pode ser lido na íntegra aqui. A pesquisa foi realizada com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e de uma bolsa de mestrado do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) .

Mais informações: Henrique Rufo, e-mail henrique.rufo@gmail.com

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