Conheça Arigó, o cirurgião da faca enferrujada

Médium mineiro tornou-se famoso por incorporar o médico alemão dr. Fritz, e contava com o apoio do presidente Juscelino Kubitschek

Arigó, o primeiro dos médiuns brasileiros com quem o dr. Fritz trabalhou

José Pedro de Freitas, o famoso cirurgião da faca enferrujada (título de um livro sobre ele, de autoria do americano John G. Fuller), nasceu em Congonhas do Campo, Minas Gerais, em 18 de outubro de 1921. Morreu quase 50 anos depois, em 11 de janeiro de 1971, de forma trágica: um acidente de carro quando viajava de sua cidade natal para Conselheiro Lafaiete.

Arigó tornou-se mundialmente conhecido pelas cirurgias psíquicas que fazia, incorporado pelo médico alemão Adolf Fritz.

As primeiras manifestações da mediunidade de Arigó aconteceram quando ele tinha 25 anos. Em sonhos angustiantes, ele falava em um idioma parecido com o alemão e via um homem calvo. Quando acordava, para acalmar a forte dor de cabeça que sempre surgia nessas ocasiões, caminhava pelas ruas.

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Certa noite, o homem calvo de seus sonhos identificou-se como o dr. Adolf Fritz, que morrera na Primeira Guerra Mundial sem haver terminado sua missão no nosso mundo. Agora, com a assistência de outros médicos desencarnados, ele desejava dar continuidade ao seu trabalho. Se quisesse encontrar a paz, segundo ele, Arigó teria de atender os doentes que o procurassem. Para tanto, a única coisa que precisaria fazer seria segurar nas mãos um crucifixo.

Num primeiro momento, Arigó se recusou a seguir as orientações do dr. Fritz. A partir daí, no entanto, passou a sofrer desequilíbrios mentais, e nem a medicina, nem a Igreja católica puderam ajudá-lo. Por fim, resolveu pôr em prática o que o dr. Fritz lhe pedira.

Desistência e recomeço

O resultado não poderia ter sido melhor: sua fama logo se espalhou Brasil afora. Depois de algum tempo, porém, receoso da Igreja católica, Arigó abandonou tudo.

As consequências de tal atitude foram desastrosas: as dores de cabeça voltaram e seus negócios particulares começaram a ir mal. Quase à beira da falência, Arigó recomeçou suas curas.

Os pacientes operados por ele não sentiam dor, não tinham hemorragias ou infecções pós-operatórias e os remédios receitados muitas vezes eram desconhecidos no Brasil, podendo, no entanto, ser encontrados na Europa. Assim, cada vez mais famoso, Arigó passou a atrair a atenção de médicos e cientistas. Foi o caso do pesquisador americano Andrija Puharich, operado pelo dr. Fritz para extração de um tumor benigno no braço.

Apesar de tudo isso, as autoridades médicas não podiam aceitar que um homem do campo estivesse fazendo o que os médicos levavam anos nos bancos das faculdades para aprender. Em 1957, Arigó foi processado por prática ilegal da medicina e condenado à prisão. Mas ele não chegou a cumprir nenhum dia de sua pena: foi perdoado pelo então presidente brasileiro, Juscelino Kubitschek, cuja filha ele curara algum tempo antes.

Como Arigó continuou a operar, as autoridades médicas voltaram a atacá-lo em 1961, quando Juscelino já deixara a presidência. Três anos depois, ele foi condenado por prática de feitiçaria a 16 meses de prisão. Após cumprir sete deles, foi libertado temporariamente, voltando à cadeia dois meses depois.

Depois de ficar mais dois meses encarcerado, o processo foi revisto. Arigó foi então considerado inocente de todas as acusações feitas contra ele.

Depois de Arigó, outros médiuns brasileiros declararam trabalhar com o mesmo dr. Fritz. O mais famoso deles foi o médico pernambucano Edson Cavalcante Queiroz (1950-1991).

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