Conheça Mirabelli, o supermédium de efeitos físicos brasileiro

Entre os fenômenos que produzia estavam a levitação, o movimento de objetos e o uso de idiomas que o médium desconhecia

Mirabelli (esquerda) ao lado de uma materialização (centro): efeitos extraordinários. Crédito: Rodolpho Hugo Mikulasch/Wikimedia

Tivemos no Brasil um dos mais espetaculares médiuns que o mundo conheceu: Carmine Mirabelli, cujo nome foi mais tarde mudado para Carlos ou Carlo Mirabelli. Filho de um pastor protestante italiano e uma moça católica, ele teve uma irmã dois anos mais nova.

Mirabelli nasceu em Botucatu (SP), em 2 de janeiro de 1889, e morreu em 30 de abril de 1951 na capital paulista, atropelado por uma lotação na esquina da sua casa. Segundo um de seus biógrafos, o professor Eurico de Góes, ele só frequentou a escola primária durante três anos, abandonando os estudos para trabalhar no comércio. Durante algum tempo, foi empregado na loja Calçados Villaça, mas, em virtude da violência dos fenômenos que ocorriam ao seu redor – sapatos saltavam das prateleiras ou moviam-se aparentemente por si mesmos, por exemplo –, foi obrigado a pedir demissão.

Naquela época, Mirabelli tinha visões, sofria de obsessões e delírios, seguidos de fenômenos de efeitos físicos, tais como levitação, transportes e raps (pancadas). Tais eventos levaram seus familiares a concluir que ele estava louco e o internaram no hospital psiquiátrico do Juqueri, em São Paulo. Lá, dois famosos psiquiatras, Franco da Rocha e Felipe Aché, submeteram-no a uma série de testes e ficaram pasmos com os fenômenos que se produziam na sua presença. Em vista disso, concordaram que Mirabelli não era louco e lhe deram alta para deixar o hospital.

LEIA TAMBÉM: Daniel Dunglas Home, o homem que levitava

Depois de sair do manicômio, Mirabelli começou a trabalhar e, também, a demonstrar publicamente sua faculdade de produzir fenômenos de efeitos físicos. As autoridades policiais passaram a persegui-lo, pois naquele tempo a prática do espiritismo era proibida. Além disso, Mirabelli produzia fenômenos definidos como fraudulentos por algumas pessoas, fluidificava água e distribuía medicamentos de graça.

Fenômenos pesquisados

Felizmente, para Mirabelli, o industrial José de Freitas Tinoco doou uma quantia destinada à compra e à instalação de um local apropriado para o estudo de fenômenos mediúnicos, denominado Academia César Lombroso. Seu primeiro presidente, Pereira de Castro, reuniu um bom número de pessoas habilitadas para pesquisar os fenômenos e defender os médiuns dos que procuravam prejudicá-los.

Mirabelli, que jamais aprendera a desenhar, conseguiu reproduzir quadros famosos sem nunca tê-los visto. Das 300 telas que pintou, cerca de 50 foram levadas para a Holanda.

O médium também manifestava a faculdade da xenoglossia e cantava em três diferentes vozes: tenor, barítono e baixo. Tocava diversos instrumentos, levitava e provocava movimentos de objetos ao seu redor, quebrando garrafas, imagens, etc., e transportando objetos de dentro da sala para o quintal.

Um dos mais estranhos fenômenos ocorreu quando uma chuva de ossos humanos sobre os assistentes terminou com a queda de uma vasta cabeleira. O esqueleto foi reconhecido como pertencente a uma senhora cujos restos mortais aguardavam sepultamento. Ele foi posteriormente enterrado no Cemitério da Quarta Parada, no bairro paulistano da Penha. Os parentes da senhora assinaram a ata da sessão.