Coronavírus está ligado à queda de poluição do ar na Itália e na China

Queda na circulação de veículos e redução de atividades industriais são as principais explicações para o fenômeno

Monitoramento por satélite revelou queda nas emissões de dióxido de nitrogênio na Itália após o bloqueio causado pelo coronavírus. Crédito: ESA

À medida que o coronavírus se espalha, imagens de satélite mostram uma redução drástica da poluição do ar em áreas em quarentena, informa o site EcoWatch. Os dados de satélite compartilhados no início de março mostraram um sensível declínio nos níveis de dióxido de nitrogênio sobre a China entre janeiro e fevereiro, quando a cidade de Wuhan, importante núcleo industrial e epicentro da epidemia, ficou isolada. Agora, imagens compartilhadas pela Agência Espacial Europeia (ESA) sugerem que algo semelhante aconteceu na Itália, que registra o segundo maior número de casos, atrás da China.

“O declínio nas emissões de dióxido de nitrogênio sobre o Vale do Pó, no norte da Itália, é particularmente evidente”, declarou Claus Zehner, gerente da missão Copernicus Sentinel-5P da ESA. “Embora possa haver pequenas variações nos dados devido à cobertura de nuvens e às mudanças climáticas, estamos muito confiantes de que a redução nas emissões que podemos ver coincide com o bloqueio na Itália, causando menos tráfego e atividade industrial.”

Na sexta-feira, a ESA publicou uma animação baseada em dados do satélite Copernicus Sentinel-5p que mostra flutuações na poluição por dióxido de nitrogênio na Europa entre 1º de janeiro e 11 de março. O declínio das emissões na Itália coincidiu com as medidas de bloqueio anunciadas pelo primeiro-ministro Giuseppe Conte em 9 de março, que proibiam reuniões públicas e viagens não essenciais. Isso ocorreu após uma decisão no dia anterior de bloquear o norte do país, informou o jornal “The New York Times”. O norte foi a região da Itália mais atingida pelo vírus e onde o declínio da poluição foi mais evidente.

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Água mais limpa em Veneza

As emissões de dióxido de nitrogênio são em grande parte impulsionadas por veículos, usinas de energia e indústria. Embora não contribuam muito para a crise climática, elas tendem a se correlacionar com as emissões de gases do efeito estufa, de acordo com o jornal “The Washington Post”. Como a Itália fez progressos significativos na redução de suas emissões e se alimenta principalmente de gás natural e energia renovável, os especialistas acham que o declínio se deve a uma diminuição no uso de veículos. “Acho que são na maioria carros a diesel fora de circulação”, disse Emanuele Massetti, especialista em economia climática da Georgia Tech University.

O bloqueio também diminuiu a poluição da água. Os canais de Veneza, agora livre de gôndolas e navios de cruzeiro, apresentam águas cristalinas, informou o site Global News. O declínio do turismo trouxe “de volta as águas da laguna dos tempos antigos, as do período pós-guerra, quando ainda era possível se banhar nas águas dos canais”, escreveu o jornal “La Nuova di Venezia e Mestre”.

Com certeza, porém, não se desejava uma redução da poluição atmosférica a esse custo. Na Itália, havia até hoje (18 de março) mais de 35 mil casos registrados, com 2.978 mortes. “Este não é o caminho para reduzir as emissões!”, declarou Riccardo Valentini, professor da Universidade de Tuscia, ao “The Washington Post”.