Coronavírus já circulava na Itália em setembro de 2019

Data apresentada por novo estudo indica que o vírus causador da covid-19 se espalhou para fora da China muito antes do que se imaginava

Milão, na Lombardia: região foi a primeira a registrar oficialmente um caso de covid-19 na Itália, mas a doença já estava presente meses antes, indica um novo estudo. Crédito: Steffen Schmitz/Wikimedia

O novo coronavírus estava circulando na Itália desde setembro de 2019, mostrou um estudo do Instituto Nacional do Câncer (INT) na cidade italiana de Milão. Isso sinaliza que a covid-19 pode ter se espalhado para além da China antes do que se imagina.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alega que o novo coronavírus e a covid-19, a doença respiratória causada pelo vírus, eram desconhecidos antes de o surto ser relatado pela primeira vez em Wuhan, na região central da China, em dezembro.

O primeiro paciente com covid-19 da Itália foi detectado em 21 de fevereiro, em uma pequena cidade perto de Milão, na Lombardia (norte do país).

Mas as descobertas dos pesquisadores italianos, publicadas pela revista científica “Tumori Journal”, do INT, mostraram que 11,6% dos 959 voluntários saudáveis ​​inscritos em um teste de rastreamento de câncer de pulmão, entre setembro de 2019 e março de 2020, desenvolveram anticorpos contra o novo coronavírus bem antes de fevereiro.

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Outro teste específico de anticorpos SARS-CoV-2 foi realizado pela Universidade de Siena. A pesquisa é intitulada “Detecção inesperada de anticorpos SARS-CoV-2 no período pré-pandêmico na Itália”.

O estudo revelou que quatro casos datados da primeira semana de outubro também testaram positivo para anticorpos que neutralizam o vírus. Isso significa que eles foram infectados em setembro, disse à Reuters Giovanni Apolone, coautor do estudo.

“Esta é a principal descoberta: as pessoas sem sintomas não só foram positivas após os testes sorológicos, mas também tinham anticorpos capazes de matar o vírus”, afirmou Apolone.

“Isso significa que o novo coronavírus pode circular entre a população por muito tempo e com baixo índice de letalidade não porque esteja desaparecendo, mas apenas para ter uma nova onda”, acrescentou.

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