Coronavírus: quarentena causa queda na poluição em toda a Europa

Dados baseados em observações do satélite Copernicus Sentinel-5P, da ESA, mostram fortes reduções nas concentrações de dióxido de nitrogênio em várias grandes cidades da Europa, como Paris, Madri e Roma

Comparação da presença de dióxido de nitrogênio na atmosfera na França em março de 2019 (esquerda) e março de 2020: diferença substancial. Crédito: Crédito: dados do Copernicus Sentinel (2019-20) processados por KNMI/ESA

A doença do coronavírus (Covid-19) está se espalhando rapidamente pelo mundo – são 199 países afetados e mais de 740 mil casos confirmados em 30 de março. O surto de coronavírus foi declarado uma pandemia global pela Organização Mundial da Saúde e, desde então, a agência tem dito que a doença está “acelerando”.

A fim de conter a propagação do surto de Covid-19, países em todo o mundo estão implementando medidas rigorosas – colocando cidades e até países inteiros em isolamento.

O satélite Copernicus Sentinel-5P mapeou recentemente a poluição do ar na Europa e na China e revelou uma queda significativa nas concentrações de dióxido de nitrogênio – coincidindo com as rigorosas medidas de quarentena.

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As emissões de dióxido de nitrogênio são em grande parte impulsionadas por veículos, usinas de energia e indústria. Embora não contribuam muito para a crise climática, elas tendem a se correlacionar com as emissões de gases do efeito estufa.

Redução forte

Cientistas do Real Instituto Meteorológico da Holanda (KNMI) têm usado dados do satélite Copernicus Sentinel-5P para monitorar o tempo e a poluição na Europa.

As novas imagens ilustram claramente uma forte redução das concentrações de dióxido de nitrogênio nas principais cidades da Europa – especificamente Milão, Paris e Madri.

As imagens de satélite mostram as concentrações de dióxido de nitrogênio de 14 a 25 de março de 2020, em comparação com a média mensal de concentrações de 2019.

Imagens de março de 2019 e março de 2020 também mostram o efeito da quarentena causada pelo coronavírus nos céus da Espanha. Crédito: dados do Copernicus Sentinel (2019-20) processados por KNMI/ESA

Henk Eskes, do KNMI, explica por que essas datas foram escolhidas: “As concentrações de dióxido de nitrogênio variam de dia para dia devido a mudanças no clima. Não é possível tirar conclusões com base apenas em um dia de dados. Ao combinar dados por um período específico de tempo, 10 dias nesse caso, a variabilidade meteorológica é parcialmente média e começamos a ver o impacto das mudanças devido à atividade humana”.

Análise mais detalhada

Eskes acrescenta: “A química da nossa atmosfera é não linear. Portanto, a queda percentual nas concentrações pode diferir um pouco da queda nas emissões. Modelos de química atmosférica, que respondem por mudanças diárias no clima, em combinação com técnicas de modelagem inversa, são necessários para quantificar a emissão com base nas observações de satélite.”

Concentrações de dióxido de nitrogênio sobre a Itália em março de 2019 (esquerda) e março de 2020. Crédito: dados do Copernicus Sentinel (2019-20) processados por KNMI/ESA

A equipe do KNMI, em colaboração com cientistas de todo o mundo, começou a trabalhar em uma análise mais detalhada usando dados do solo, dados climáticos e modelagem inversa para interpretar as concentrações observadas, a fim de estimar a influência das medidas de desligamento.

Eskes comenta: “Para estimativas quantitativas das mudanças nas emissões devido ao transporte e à indústria, precisamos combinar os dados Tropomi do satélite Copernicus Sentinel-5P com modelos de química atmosférica. Esses estudos começaram, mas levarão algum tempo para ser concluídos”.

Outros países do norte da Europa estão sendo monitorados de perto, incluindo a Holanda e o Reino Unido – mas os cientistas observaram uma maior variabilidade devido às mudanças nas condições climáticas. Novas medições a partir desta semana ajudarão a avaliar as mudanças no dióxido de nitrogênio no noroeste da Europa.

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