Crânio achado no Caribe é evidência rara de hanseníase nas Américas

Crânio datado com radiocarbono sugere que ilha desabitada onde ele foi encontrado seria usada para segregar pessoas com a doença

Petite Mustique 1. A, norma frontalis. B, norma lateralis direita (todas as fotos por GCN). Crédito: DOI: 10.1016 / j.ijpp.2021.10.004

Um crânio desenterrado em uma ilha desabitada do Caribe é um achado raro: é um dos poucos exemplos de hanseníase (lepra) identificados em um esqueleto no hemisfério ocidental. Ele é também o único datado diretamente com radiocarbono, a partir da análise de um fragmento do próprio crânio, em vez da estimativa de uma idade usando artefatos ou materiais próximos. O estudo a esse respeito foi publicado na revista International Journal of Paleopathology.

Os ossos são do final do século 18 ou início do século 19, de acordo com a equipe liderada pelo arqueólogo Scott Fitzpatrick, da Universidade do Oregon (EUA). A equipe incluiu outros dois pesquisadores egressos da mesma instituição, o autor principal e biólogo esquelético Greg Nelson e a antropóloga Taylor Dodrill.

O espécime foi encontrado em Petite Mustique, uma ilha desabitada em São Vicente e Granadinas, nas Pequenas Antilhas. Registros históricos sugerem que a ilha pode ter sido o local de um leprosário no início de 1800, quando as pessoas com hanseníase podiam ser isoladas para evitar a propagação da doença.

Locais de segregação

“Há vários casos bem conhecidos no Caribe e no Pacífico onde ilhas menores foram usadas como locais para segregar pessoas com hanseníase, como Molokai, no Havaí”, disse Fitzpatrick, que também é diretor associado de pesquisa do Museu de História Natural e Cultural da Universidade do Oregon.

Mas, embora a hanseníase tenha sido documentada no Caribe por meio de evidências escritas a partir de meados do século 17, esses relatos eram incompletos. Arqueólogos encontraram escassas evidências esqueléticas da doença que podem ajudar a rastrear seu padrão de disseminação. O novo achado é importante nesse sentido.

A hanseníase causa uma desfiguração dramática das mãos, pés e rosto, e essas alterações aparecem nos ossos. Nelson determinou que a pessoa tinha hanseníase com base no padrão de deformação do esqueleto no nariz e na mandíbula superior do crânio.

A doença se espalha por meio do contato íntimo e prolongado com alguém que está doente, mas “o fato de que a hanseníase também pode causar desfiguração perceptível das mãos, pés e particularmente do rosto tornou-a uma doença muito assustadora e provavelmente precipitou movimentos para isolar as pessoas com hanseníase”, disse Nelson.

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