Daniel Dunglas Home, o homem que levitava

Um dos mais notáveis médiuns de efeitos físicos da história, o escocês D.D. Home era capaz de sair por uma janela e voltar por outra levitando

D. D. Home: feitos notáveis diante de alguns dos mais conceituados pesquisadores de sua época. Crédito: Wikimedia

Um dos mais espetaculares médiuns de efeitos físicos do mundo, Daniel Dunglas Home nasceu em 20 de março de 1833, em Currie, na Escócia. Aos 9 anos de idade, mudou-se para os Estados Unidos com sua tia, de quem dependia financeiramente. Ele era então um menino doentio, tuberculoso.

Suas faculdades paranormais surgiram cedo. Na puberdade, Home já tinha visões, além de produzir outros fenômenos, o que desagradava muito sua tia. Ela era muito religiosa e achava que as coisas estranhas que o menino era capaz de fazer não passavam de obra do demônio.

A senhora resolveu então pedir a três pastores protestantes que, juntos, rezassem por ele na sua casa. Mas as orações tiveram um efeito inesperado: durante a reza, a faculdade já prodigiosa de Home se fortaleceu ainda mais, e uma cadeira começou a dançar pela sala, acompanhada pela mesa.

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A tia, desiludida com a ineficácia da reza dos pastores, resolveu agir por conta própria: pegou uma Bíblia e a colocou sobre a mesa. Esta última não deixou por menos: agitou-se ainda mais. Isso aborreceu a senhora a ponto de expulsar o endemoninhado sobrinho da sua casa.

Aos 22 anos, Home voltou para a Inglaterra. Lá, outros extraordinários fenômenos ocorreram. Na presença do rapaz, móveis se mudavam de um lugar para outro, instrumentos musicais produziam sons melodiosos e seres espirituais apareciam. Home levitou diversas vezes muito acima do chão da sala. Em uma dessas ocasiões, saiu levitando por uma janela do terceiro andar do prédio onde estava e voltou por outra.

Home levita diante de testemunhas na casa de Ward Cheney, em South Manchester (EUA). Crédito: imagem do livro “Les Mystères de la Science”, de Louis Figuier
Brasas na boca

Uma das mais extraordinárias façanhas do médium, porém, era pegar brasas com suas mãos e colocá-las na boca. Conta-se que ele chegou a enfiar a própria cabeça na lareira acesa, sem que um fio de cabelo ficasse chamuscado.

Certa vez, a toalha que recobria uma mesa se elevou no ar, sem que se pudesse explicar como isso estava sendo feito. Para que ela fosse levantada daquela maneira, seria necessário que a mão de alguém a empurrasse por baixo. Um dos assistentes, desconfiado do que estava acontecendo, agarrou uma das pontas da toalha e a puxou, mas o espaço por baixo do pano estava vazio e ele constatou que não havia nenhum fio a fazer a toalha elevar-se daquela forma.

Além desses fenômenos, na presença de Home ouviam-se raps (pancadas), materializavam-se membros humanos, e até corpos inteiros, que os assistentes das sessões podiam tocar.

Home foi estudado por vários pesquisadores, entre eles o físico e químico William Crookes, que no fim da vida passou a professar crenças espiritualistas. Houve muita controvérsia sobre determinadas características das sessões do médium, como a iluminação fraca ou a preferência de Home por contar com pessoas de sua preferência para ficarem mais próximas dele nessas ocasiões. Os controles estabelecidos pelos pesquisadores também foram postos em dúvida. Mesmo assim, certos fenômenos registrados desafiam explicações.

Apesar de suas extraordinárias faculdades, Home nunca se orgulhou delas. Ele faleceu de tuberculose em 21 de junho de 1886, com apenas 53 anos, em Paris, na França.