Depois do fogo, a lama

Desde 2011, a natureza não dá trégua à Califórnia, enviando-lhe secas, incêndios florestais e chuvas catastróficas em proporções bem acima da média

Pedras e lama se acumulam na frente de uma das casas destruídas por deslizamento em Montecito, no sul da Califórnia, em 11 de janeiro. Centenas de residências foram atingidas pelo fenômeno (Foto: Justin Sullivan / Getty Images / AFP)

Estado mais rico e populoso dos Estados Unidos, a Califórnia tem sido maltratada nos últimos anos, sobretudo por uma seca tão intensa, de 2011 a 2017, que fez até o solo afundar, pela extração de água subterrânea sem a necessária reposição. Os ingredientes marcantes deste inverno são o maior incêndio florestal da história californiana moderna (o Thomas Fire), que castigou mais de 1.130 quilômetros quadrados na parte sul do estado e só foi contido totalmente em 12 de janeiro, e as chuvas torrenciais que vieram a seguir, causando deslizamentos mortais.

A estrutura de solos de encostas devastadas por incêndios de grande porte, explicam os cientistas, é alterada e repele a água mais facilmente, o que acarreta menos absorção e mais escoamento. Sem penetrar na terra como deveria, a água das chuvas deste inverno, misturada à lama e à pouca vegetação dos morros ressecados, danificou severamente áreas atingidas pelo fogo, causando pelo menos 20 mortes e o deslocamento forçado de centenas de moradores que viram suas casas serem destruídas. Para diversos cientistas, a cadeia de eventos extremos sucessivos enfrentados pela Califórnia nos últimos anos é um exemplo forte do poder destrutivo do aquecimento global.



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