Deputado dos EUA sugere mudar órbita da Lua para combater aquecimento

Para o republicano Louie Gohmert, do Texas, negacionista do clima e defensor de Donald Trump, é mais fácil alterar a órbita lunar do que tomar providências na própria Terra

A Lua passa em frente à Terra na visão da câmera da nave DSCOVR, a 1,6 milhão de quilômetros do nosso planeta: para Gohmert, é mais fácil mexer na mecânica celeste do que mudar a participação humana no aquecimento global. Crédito: Nasa/Noaa

Parece piada, mas é verdade. Durante uma audiência na Câmara dos Representantes dos EUA com membros do Serviço Florestal norte-americano, o deputado republicano Louie Gohmert caprichou e apresentou a seguinte proposta para enfrentar a mudança do clima: mudar a órbita da Lua.

Eis, na íntegra, a tradução da fala de Gohmert: “Fui informado por um ex-diretor da Nasa que eles descobriram que a órbita da Lua está mudando ligeiramente, assim como a órbita da Terra em torno do Sol. Sabemos que houve uma atividade significativa de erupção solar. E, então, há algo que o Serviço Florestal Nacional ou o Escritório de Gestão do Solo possa fazer para mudar o curso da órbita da Lua ou da órbita da Terra em torno do Sol? Isso certamente teria efeitos profundos em nosso clima”.

Negacionismo

Com paciência de Jó, a CNN fez um fact-check sobre a proposta Gohmert. Ao sugerir um efeito da Lua sobre o clima terrestre, Gohmert usou parte da argumentação negacionista, aquela que defende a mudança climática como um fenômeno natural, causado pelas atividades solares e sem motivação humana. Além disso, mudar a órbita da Lua ou da Terra não é a mesma coisa que estacionar um carro: estamos falando de processos astrofísicos extremamente complexos e, ao menos nos termos propostos pelo deputado, inviáveis para interferência humana.

Para contextualizar, é bom lembrar que Louie Gohmert é defensor ferrenho do negacionista Donald Trump e um dos principais artífices da chamada Grande Mentira, que contesta a derrota eleitoral do ex-presidente e a vitória de Joe Biden nas eleições de 2020 e que, por tabela, resultou na invasão criminosa de seguidores trumpistas ao Capitólio em Washington em 6 de janeiro passado.

Guardian, NBC News e Rolling Stone repercutiram a maluquice. Aqui no Brasil, o Extra abordou o assunto.

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