Descoberta de fósseis aprofunda mistério sobre inseto predador

Exemplares antigos de Raphidioptera foram encontrados em uma região cujo clima naquela época era muito diferente do seu habitat atual

No alto, mosca-cobra moderna; abaixo, um fóssil do inseto datado de 52 milhões de anos atrás encontrado no Driftwood Canyon, na Colúmbia Britânica (Canadá). Crédito: Direitos autorais da imagem fóssil Zootaxa

As descobertas de fósseis muitas vezes ajudam a responder a perguntas de longa data sobre como o mundo moderno veio a existir. Mas às vezes elas apenas aprofundam o mistério. É o caso da descoberta de quatro novas espécies de insetos antigos na Colúmbia Britânica (sudoeste do Canadá) e no estado de Washington (noroeste dos EUA) está provando.

As espécies fósseis, encontradas recentemente pelos paleontólogos Bruce Archibald, da Universidade Simon Fraser (Canadá), e Vladimir Makarkin, da Academia Russa de Ciências, pertencem a um grupo de insetos conhecidos como “moscas-cobra” (ordem dos Raphidioptera, dividida nas famílias Raphidiidae e Inocelliidae), que viveu na região cerca de 50 milhões de anos atrás. As descobertas, publicadas na revista “Zootaxa”, levantam mais questões sobre a história evolutiva dos insetos distintamente alongados e por que estão onde vivem hoje.

Esses insetos delgados e predadores nativos do hemisfério norte estão ausentes das regiões tropicais. Os cientistas tradicionalmente acreditam que são necessários invernos frios para desencadear o desenvolvimento deles em adultos. Isso restringe as moscas-cobra quase exclusivamente a regiões que experimentam dias de geada ou mais frios. No entanto, os locais onde os fósseis das espécies antigas foram encontrados tinham um clima que não se encaixa nessa explicação.

Invernos muito amenos

“O clima anual médio era moderado como Vancouver ou Seattle hoje, mas o mais importante é que tinha invernos muito amenos com poucos dias de geada, ou nenhum”, diz Archibald. “Podemos ver isso pela presença de plantas intolerantes à geada, como palmeiras, que viveram nessas florestas, juntamente com plantas mais ao norte, como os abetos.”

Os locais de fósseis onde as espécies antigas foram descobertas se estendem por 1.000 quilômetros de um planalto antigo de Driftwood Canyon, no noroeste da Colúmbia Britânica, ao sítio de McAbee, no sul da Colúmbia Britânica, e todo o caminho até a cidade de Republic, no norte de Washington.

De acordo com Archibald, os paleontólogos encontraram espécies de duas famílias de moscas-cobra nesses sítios fósseis, que anteriormente se pensava que requeriam invernos frios para sobreviver. Cada família parece ter se adaptado independentemente aos invernos frios depois que essas espécies fósseis viveram.

Ausência estranha

“Agora sabemos que, no início de sua história evolutiva, as moscas-cobra viviam em climas com invernos muito amenos. Portanto, a questão é: por que não mantiveram sua capacidade de viver nessas regiões? Por que as moscas-cobra não são encontradas nos trópicos hoje?”

Descobertas de insetos fósseis nesses locais mostraram conexões com a Europa, a costa russa do Pacífico e até mesmo a Austrália.

Archibald enfatiza que compreender como a vida se adapta ao clima olhando profundamente para o passado ajuda a explicar por que as espécies estão distribuídas no mundo hoje e talvez possa ajudar a prever como novas mudanças no clima podem afetar esse padrão.

“Essas descobertas estão surgindo desses locais de fósseis o tempo todo”, diz Archibald. “Eles são uma parte importante de nossa herança.”

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