Descoberta localização mais precisa do reino bíblico de Edom

De acordo com pesquisadores israelenses e americanos, reino estava situado no deserto de Arava, ocupando terras atualmente em Israel e na Jordânia, e se destacava na produção de cobre

Escavações indicam que a sociedade edomita era rica e próspera. Crédito: T. Levy / American Friends of Tel Aviv University

Pesquisadores israelenses e americanos anunciaram em artigo publicado em 18 de setembro na revista “PLOS One” ter descoberto a localização de um reino citado no livro inicial da Bíblia. Segundo eles, o reino mencionado no versículo 31 do capítulo 36 do Gênesis, do início do século 10 a.C. – “(…) os reis que reinaram em Edom antes que qualquer rei israelita reinasse” – existiu no deserto de Arava, em território dos atuais Israel e Jordânia, entre os séculos 12 e 11 antes de Cristo.

Havia interpretações conflitantes sobre essa localização, em virtude dos registros arqueológicos encontrados. O estudo recente, conduzido por Erez Ben-Yosef, da Universidade de Tel Aviv (TAU, na abreviatura em inglês), e Tom Levy, da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), eliminou as dúvidas. Por meio dele é possível saber mais sobre uma sociedade rica e próspera liderada por uma “rede de alta tecnologia” em cobre.

Esse metal, usado na Antiguidade para produzir ferramentas e armas, exige vários estágios e níveis de conhecimento.

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Ben-Yosef e sua equipe analisaram centenas de descobertas de antigas minas de cobre na Jordânia (Faynan) e Israel (Timna) para reconstruir a evolução e o refinamento da indústria manufatureira de cobre ao longo de 500 anos, entre 1300 a.C. e 800 a.C. Eles identificaram mudanças drásticas na escória de cobre descoberta nos locais de Arava.

Eficiência aumentada

“Usando a evolução tecnológica como sinal dos processos sociais, conseguimos identificar e caracterizar o surgimento do reino bíblico de Edom”, explicou Ben-Yosef. “Nossos resultados provam que aconteceu antes do que se pensava anteriormente e de acordo com a descrição bíblica.”

As análises mostram uma clara queda estatística na quantidade de cobre na escória ao longo do tempo, indicando que a produção foi aperfeiçoada em termos de eficiência. Os pesquisadores atribuem essa melhoria repentina à invasão promovida pelo faraó Shoshenq I (o bíblico “Shishak”), que saqueou Jerusalém no século 10 a.C.

A nova pesquisa indica que a intervenção do Egito na terra de Edom não foi acompanhada de destruição. Em vez disso, deflagrou um “salto tecnológico” que incluía produção e comércio de cobre mais eficientes.

“Demonstramos uma repentina padronização da escória na segunda metade do século 10 a.C., desde os locais de Faynan, na Jordânia, até os locais de Timna, em Israel, uma extensa área de cerca de 2 mil quilômetros quadrados, que ocorreu exatamente quando os egípcios entraram na região”, disse Ben-Yosef. “A eficiência da indústria do cobre na região estava aumentando. Os edomitas desenvolveram protocolos de trabalho precisos que lhes permitiam produzir uma quantidade muito grande de cobre com o mínimo de energia.”

Catalisador de inovações

Segundo Ben-Yosef, o Egito naquela época era um poder fraco. Embora sua influência na região seja clara, provavelmente não comandava a indústria do cobre, que continuava sendo característica dos edomitas. “Como consumidor de cobre importado, o Egito tinha um grande interesse em agilizar a indústria. Parece que, através de seus laços de longa distância, eles foram um catalisador de inovações tecnológicas em toda a região. Por exemplo, o camelo apareceu pela primeira vez na região imediatamente após a chegada de Shoshenq I”, afirmou Ben-Yosef.

“Nossas novas descobertas contradizem a visão de muitos arqueólogos de que o Arava foi povoado por uma aliança frouxa de tribos, e são consistentes com a história bíblica de que havia um reino edomita aqui”, concluiu. “Uma indústria florescente de cobre no Arava só pode ser atribuída a uma política centralizada e hierárquica, e isso pode se encaixar na descrição bíblica do reino edomita.”