Descoberta no deserto do Kalahari leva a revisão da origem humana

Segundo evidências encontradas por pesquisadores, os primeiros humanos do Kalahari eram tão inovadores quanto seus vizinhos do litoral

Escavações arqueológicas em Ga-Mohana Hill North Rockshelter, onde as primeiras evidências de comportamentos complexos do Homo sapiens foram recuperadas. Crédito: Jayne Wilkins

Evidências arqueológicas em um abrigo rochoso na borda do deserto do Kalahari, na África do Sul, estão desafiando a ideia de que as origens da nossa espécie estavam ligadas a ambientes costeiros. Um artigo sobre esse estudo foi publicado na revista “Nature”.

Uma equipe internacional liderada pela drª Jayne Wilkins, do Centro de Pesquisa Australiano para Evolução Humana da Universidade Griffith (Austrália), encontrou evidências longe de locais costeiros dos complexos comportamentos simbólicos e tecnológicos que definem os humanos modernos, remontando a 105 mil anos.

“Nossas descobertas nesse abrigo rochoso mostram que modelos excessivamente simplificados para as origens de nossa espécie não são mais aceitáveis. As evidências sugerem que muitas regiões do continente africano estiveram envolvidas, sendo o Kalahari apenas uma delas”, disse Wilkins.

Distância da costa

“As evidências arqueológicas dos primeiros Homo sapiens foram amplamente descobertas em locais costeiros da África do Sul, apoiando a ideia de que nossas origens estavam ligadas a ambientes costeiros”, prosseguiu ela. “Poucos sítios arqueológicos datáveis ​​e bem preservados no interior da África Meridional podem nos contar sobre as origens do Homo sapiens fora da costa. Um abrigo rochoso no Monte Ga-Mohana que fica acima de uma vasta savana no Kalahari é um desses locais.”

O abrigo rochoso é usado hoje para atividades rituais pela comunidade local. A pesquisa arqueológica revelou ali uma longa história de um lugar de significado espiritual.

Os pesquisadores escavaram 22 cristais de calcita branca e fragmentos de casca de ovo de avestruz, usados ​​como recipientes de água, de depósitos datados de 105 mil anos atrás no local denominado Ga-Mohana Hill North Rockshelter. Naquela época, esse ambiente era muito mais úmido do que hoje.

Sítio arqueológico em abrigo rochoso no deserto do Kalahari: mais de 100 mil anos atrás, as pessoas usavam o chamado Ga-Mohana Hill North Rockshelter para atividades espirituais. Crédito: Jayne Wilkins
Uso espiritual ou cultural

“Nossa análise indica que os cristais não foram introduzidos nos depósitos por meio de processos naturais, mas foram objetos coletados deliberadamente, provavelmente ligados a crenças espirituais e rituais”, disse Wilkins.

“Os cristais apontam para o uso espiritual ou cultural do abrigo 105 mil anos atrás”, disse o dr. Sechaba Maape, da Universidade de Witwatersrand (África do Sul). “Isso é notável, considerando que o local continua a ser usado para a prática de atividades rituais hoje.”

Os pesquisadores ficaram maravilhados ao descobrir que o conjunto de cristais coletados por humanos e fragmentos de casca de ovo de avestruz no Monte Ga-Mohana eram significativamente mais antigos do que o relatado em ambientes internos em outros lugares.

“Em locais costeiros, as primeiras evidências para esses tipos de comportamento datam da mesma época, 105 mil anos atrás”, disse Wilkins. “Isso sugere que os primeiros humanos do Kalahari não foram menos inovadores do que os da costa.”

Impacto minimizado

A cronologia de Ga-Mohana North Rockshelter foi determinada pela equipe de pesquisa usando datação por luminescência.

“Essa técnica mede os sinais de luz natural que se acumulam ao longo do tempo nos grãos sedimentares de quartzo e feldspato”, disse o dr. Michael Meyer, da Universidade de Innsbruck (Áustria). “Você pode pensar em cada grão como um relógio miniaturizado. A partir dele podemos ler essa luz natural ou sinal de luminescência, nos dando a idade das camadas de sedimentos arqueológicos.”

Devido ao significado espiritual contínuo do Monte Ga-Mohana, os pesquisadores estão conscientes de minimizar seu impacto no uso do abrigo de rochas pelas comunidades locais após cada temporada.

“Não deixar rastros visíveis e trabalhar com a comunidade local é fundamental para a sustentabilidade do projeto”, disse Wilkins. “Para que o Monte Ga-Mohana possa continuar a fornecer novos conhecimentos sobre as origens e a evolução do Homo sapiens no Kalahari.”

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