Descoberto como cobras venenosas desenvolveram suas presas

De acordo com pesquisadores, foi fácil para a evolução transformar dentes de cobras em agulhas hipodérmicas

Exemplar de víbora-de-russell e suas presas: para a evolução, um trabalho não muito complicado. Crédito: Jayendra Padmakar Chiplunkar/Wikimedia Commons

Como as cobras venenosas desenvolveram suas presas? A resposta está em características microscópicas específicas de seus dentes, sugerem pesquisas lideradas pela Universidade Flinders e pelo South Australian Museum, da Austrália. O estudo a esse respeito foi publicado na revista Proceedings of the Royal Society B.

“Sempre foi um mistério por que as presas evoluíram tantas vezes em cobras, mas raramente em outros répteis. Nosso estudo responde a isso, mostrando como é fácil para dentes normais de cobra se transformarem em agulhas hipodérmicas”, disse o autor principal, dr. Alessandro Palci, da Universidade Flinders.

Das quase 4 mil espécies de cobras vivas hoje, cerca de 600 delas são consideradas “clinicamente significativas” para os humanos, o que significa que, se você for mordido, provavelmente precisará de uma visita ao hospital mais próximo para tratamento.

Dobra mais profunda

As presas do veneno são dentes modificados com ranhuras e maiores do que outros dentes próximos. Eles podem estar localizados na parte posterior ou frontal da boca, onde podem ser fixados ou articulados (ou seja, podem ser dobrados para trás).

Pesquisadores australianos e estrangeiros usaram modelagem de alta tecnologia, fósseis e horas de observações ao microscópio para revelar que as cobras possuem pequenas dobras, ou rugas, na base dos dentes. Essas dobras podem ajudar os dentes a se fixarem com mais firmeza na mandíbula. Em cobras venenosas, uma dessas rugas se torna mais profunda e se estende até a ponta do dente, produzindo assim um sulco de veneno e uma presa.

“Nosso trabalho também destaca o oportunismo e a eficiência da evolução. As rugas que ajudaram a fixar os dentes na mandíbula foram reaproveitadas para ajudar a injetar veneno”, disse o coautor Michael Lee, professor da Universidade Flinders e do South Australian Museum.

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