Dietas ruins matam mais do que cigarro, diz estudo

Comer e beber melhor pode prevenir uma em cada cinco mortes precoces, alertam os pesquisadores desta que está sendo considerada a análise mais abrangente já realizada sobre os efeitos da alimentação na saúde

Cerca de 11 milhões de mortes evitáveis por ano ​​em todo o mundo são causadas por alimentação pouco saudável, segundo estudo publicado na revista médica The Lancet. Esse número chega a ser maior do que as mortes por fumo.

O maior problema está nos alimentos nutritivos que não são ingeridos, mais do que nos itens prejudiciais comidos. Ataques cardíacos e derrames são as principais causas de morte relacionadas à dieta, seguidas por cânceres e diabetes tipo 2, dizem os pesquisadores. Comer e beber melhor pode prevenir uma em cada cinco mortes precoces, eles alertam.

Foram levados em conta 15 nutrientes diferentes. Os principais fatores de risco foram comer muito sal e poucos grãos integrais, frutas, nozes e sementes, vegetais e ácidos graxos ômega-3 de frutos do mar. Outros fatores de risco considerados foram consumir altos níveis de carne vermelha e processada e bebidas açucaradas, além de baixo consumo de leite e baixa fibra.

Em vez de tentar persuadir as pessoas a reduzir o açúcar, o sal e a gordura, que tem sido “o foco principal do debate sobre a política alimentar nas últimas duas décadas”, seria melhor promover opções saudáveis, dizem os pesquisadores. Por isso, eles pedem uma mudança global na política de promoção de vegetais, frutas, nozes e legumes.

A pesquisa faz parte do estudo Global Burden of Disease, do Instituto de Medições e Avaliação da Saúde (IHME, da sigla em inglês), de Seattle, nos EUA. O documento é a análise mais abrangente já realizada sobre os efeitos da dieta na saúde, afirma o instituto. Embora as dietas variem de um país para outro, comer poucas frutas e vegetais e muito sódio (sal) foi responsável por metade de todas as mortes e dois terços dos anos de incapacidade atribuíveis à dieta.

Dietas pobres foram responsáveis ​​por 10,9 milhões de mortes, ou 22% de todas as mortes entre adultos em 2017. A doença cardiovascular foi a principal causa, seguida de câncer e diabetes. Quase metade – 45% – estavam em pessoas com menos de 70 anos. O tabaco foi associado a 8 milhões de mortes, e a pressão alta estava ligada a 10,4 milhões de mortes.

Mesmo os países que têm uma dieta predominantemente mediterrânea, nenhum país alcançou um nível ótimo de consumo de todos os alimentos saudáveis. Israel teve a menor taxa de mortes relacionadas à dieta, com 89 por 100.000 pessoas, seguida pela França, Espanha e Japão. O Reino Unido ficou em 23º lugar, com 127 mortes relacionadas com a dieta por 100.000 e os EUA em 43º com 171. O Uzbequistão foi o último, com 892.