Dilúvio no Oriente

Volumes de chuva raramente vistos no Japão castigaram o sudoeste do país entre junho e julho e dão mais um triste exemplo das transformações climáticas

Moradora de Mabi, na prefeitura de Okayama, limpa seus pertences depois de sua casa ter sido atingida pela enchente. As chuvas que caíram no sudoeste do Japão entre 28 de junho e 9 de julho de 2018 mataram mais de 220 pessoas (Foto: AFP)

Para um país desenvolvido que aprendeu a lidar com os percalços da natureza, a tragédia causada pelas chuvas que caíram entre o fim de junho e a primeira metade de julho no sudoeste do Japão soa ainda mais assustadora. A soma de uma área de baixa pressão estacionada sobre o país e a passagem do tufão Prapiroon foi responsável pelas volumosas precipitações. Em muitas áreas, a chuva se prolongou por dez dias seguidos, com acumulados acima de 1.000 milímetros – na ilha de Shikoku, o índice chegou a 1.852,5 milímetros.

Alguns municípios tiveram precipitações concentradas inéditas: Mount Ontake recebeu 655,5 milímetros em três dias; Motoyama, 584 milímetros em dois dias; e uma cidadezinha na província de Kochi registrou 263 milímetros em apenas duas horas. Até 20 de julho, as chuvas e os consequentes deslizamentos de terra e inundações haviam causado a morte de pelo menos 225 pessoas e ferimentos em centenas de moradores. Contavam-se ainda 13 desaparecidos. As autoridades haviam recomendado que mais de 8 milhões de pessoas deixassem suas casas. As piores precipitações no Japão desde 1982 se encaixam tristemente no perfil de eventos extremos delineado pelos estudiosos do aquecimento global.

blog comments powered by Disqus