Dinâmica da relação romântica pode ter raiz genética

Variações do gene CD38, associado ao apego entre outros animais, estão ligadas ao comportamento manifestado por uma pessoa em relação a seu parceiro amoroso

Relacionamento romântico: a genética também tem sua participação, afirmam cientistas canadenses. Crédito: Susan Cipriano/Pixabay

Variações encontradas em um gene chamado CD38, que está envolvido no comportamento de apego em animais não humanos, podem estar associadas à dinâmica do relacionamento romântico humano na vida diária, segundo um estudo publicado na revista “Scientific Reports”, do grupo Nature.

Jennifer Bartz, Gentina Sadikaj e colegas da Universidade McGill (Canadá) examinaram dados de 111 casais heterossexuais (222 indivíduos) que relataram seu comportamento social – que incluía sorrir e rir com outras pessoas, fazer comentários sarcásticos, pedir a outros para fazer algo ou desistir –, sua percepção do comportamento do parceiro e seus sentimentos durante as interações entre eles durante um período de 20 dias. Dos 222 indivíduos, 118 (65 mulheres e 53 homens) também forneceram informações genéticas.

Os autores descobriram que uma variação do gene CD38 – CD38.rs3796863 – estava associada ao comportamento comunitário de um indivíduo, como a expressão de afeto, nas interações diárias com seu parceiro romântico.

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Papel fundamental

O CD38.rs3796863 tem duas variantes (alelos): A e C. O gene pode, portanto, estar presente como três combinações ou genótipos: AA, CC e AC. Os autores descobriram que indivíduos com o genótipo CC relataram um maior nível de comportamento comunitário do que indivíduos com genótipos AA ou AC. Aqueles com o genótipo CC também eram mais propensos a ver seus parceiros como se comportando em comunidade e experimentavam menos sentimentos negativos, como preocupação, frustração ou raiva, do que os genótipos AA ou AC. Aqueles com o genótipo CC também relataram níveis mais elevados de ajuste no relacionamento, incluindo percepções de qualidade de relação e apoio.

Os autores também observaram um padrão nos casais: o próprio comportamento dos participantes, sua percepção do comportamento do parceiro e sua experiência de sentimentos negativos e ajuste no relacionamento estavam igualmente associados ao genótipo do parceiro e ao seu próprio genótipo.

Os resultados sugerem que as variações no CD38 podem desempenhar um papel fundamental nos comportamentos e percepções que apoiam o vínculo entre humanos.

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