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Geral04/08/2022

Dor e raiva marcam segundo aniversário de explosão em Beirute

Deutsche Welle
Texto por:Deutsche Welle04/08/22 - 11h41min

Dois anos após a explosão que matou 216, expectativa de uma responsabilização dos culpados está desvanecendo. Desastre de 2020 é visto por muitos libaneses como um símbolo da corrupção e clientelismo que castigam o paísParecia um presságio: quatro dias antes do segundo aniversário da explosão devastadora no porto de Beirute, que matou 216 pessoas, feriu 6 mil e deixou cerca de 300 mil desabrigados, parte dos silos arruinados juntos ao cais desabaram, provocando um grande estrondo. Para muitos libaneses, os silos remanescentes se tornaram um símbolo da catástrofe.

Embora dessa vez não tenha havido mortos ou feridos, o barulho, o fogo e a fumaça lembraram a explosão, em 4 de agosto de 2020, de 2.750 toneladas de nitrato de amônio armazenadas irregularmente.

"Não parecem dois anos para mim", disse William Noun, que perdeu o irmão na explosão do porto. "Ainda dói como no primeiro dia", contou à DW.

O colapso dos silos de 50 metros de altura ocorreu após um incêndio de semanas, desencadeado por grãos que fermentaram e inflamaram no calor do verão. Em entrevista à DW em Beirute, o ministro de Obras Públicas e Transportes do Líbano, Ali Hamieh, responsável pelo porto, rejeitou as acusações de que o governo não agiu para conter o incêndio, que começou há três semanas

"Os especialistas nos disseram que é impossível retirar o trigo devido à estrutura frágil dos silos", disse Hamieh, acrescentando que o governo ainda tentará preservar as partes mais seguras da estrutura restante.

Sobreviventes querem manter silos como memorial

Os silos, que protegeram partes de Beirute durante a explosão de 2020, ainda hoje provocam polêmica. Em abril, o governo libanês aprovou a demolição das estruturas, depois que um estudo revelou que elas poderiam desmoronar em alguns meses.

No entanto, muitos sobreviventes e famílias das vítimas argumentaram que os silos poderiam conter evidências para a investigação judicial sobre a explosão de 2020. Para além disso, muitos querem que os silos permanecessem como um memorial da tragédia.

A explosão de 2020 é amplamente vista por muitos libaneses como um símbolo de corrupção e clientelismo por uma elite dominante que também levou o país a um desastre financeiro devastador.

Economicamente, a libra libanesa (também chamada lira) está em queda livre, com uma taxa de inflação de até 90%. Grandes segmentos da população estão empobrecidos e, como resultado da guerra na Ucrânia, o Líbano, país importador de trigo, também pode ter que enfrentar um déficit significativo da commodity em um futuro próximo.

"Já estamos vendo longas filas do lado de fora das padarias", disse Anna Fleischer, chefe do escritório da Fundação Heinrich Böll em Beirute, à DW.

Do ponto de vista dela, é óbvio que o Líbano não apenas está em crise, como passando por um "colapso completo". Para ela, reformas de longo alcance são necessárias para salvar o país e reconstruir a confiança dos cidadãos na política - e não apenas "medidas cosméticas leves".

"Mas de dois anos após a explosão, a crise econômica, política e jurídica é pior do que antes", disse Mohanad Hage Ali, diretor de comunicações e membro do Centro Malcolm H. Kerr Carnegie Oriente Médio, em Londres.

Para piorar as coisas, as eleições deste ano não resultaram em uma maioria clara no Parlamento, atrasando a formação de um novo governo e, talvez, até a posse de um novo presidente.

Hage Ali duvida fortemente que o próximo presidente libanês tenha interesse em continuar a investigação sobre a explosão de 2020.

"O candidato mais provável ao cargo até agora, Soleiman Frangieh, está protegendo o ex-ministro libanês de Obras Públicas e Transportes, Youssef Fenianos, que por sua vez está ligado à investigação da explosão do porto", disse o especialista.

Obstrução na investigação

Nos últimos dois anos, a investigação sobre a explosão esteve imersa em alegações de obstrução política. O grupo político e paramilitar Hisbolá e seus aliados estão na vanguarda dos esforços para inviabilizar a investigação.

Hage Ali teme que isso não mude. "Como alguém que muitos anos escreveu sobre as vítimas da guerra civil do Líbano e sua busca por justiça, posso ver semelhanças gritantes no tratamento contínuo das vítimas e famílias das vítimas da explosão de 4 de agosto. A classe política libanesa permanece fechada e irreformável", disse ele à DW.

O primeiro juiz designado para investigar o caso, Fadi Sawan, foi afastado depois de acusar o então primeiro-ministro interino Hassan Diab e três ex-ministros de "homicídio premeditado e negligência que resultaram na morte de dezenas de pessoas".

E as investigações do segundo juiz designado para o caso, Tarek Bitar, estão suspensas há oito meses.

O Tribunal de Cassação Libanês decidiu que primeiro tinha que preencher vários cargos vagos de juiz. No entanto, as nomeações devem ser assinadas pelo Ministro da Justiça e posteriormente aprovadas pelo Ministro das Finanças. Porém, ele está intimamente ligado ao presidente do Parlamento, Nabih Berri, do partido Amal, que é próximo ao Hisbolá.

"Para o futuro do país, é importante exigir que a investigação seja retomada e que Tarek Bitar possa continuar seu trabalho e publicar seus relatórios anteriores", afirma Anna Fleischer, da Fundação Böll.

"Dois anos cheios de dor e raiva"

Para os sobreviventes, as esperanças de uma investigação completa sobre os eventos que levaram à catástrofe do porto estão desaparecendo.

"Os últimos dois anos foram cheios de dor e raiva", disse Melvine Khoury, que sofreu ferimentos no rosto e no ombro na explosão.

Ela acha difícil acreditar que "as pessoas responsáveis ​​por sua dor estejam concorrendo às eleições”, enquanto ela está em uma cama de hospital sofrendo após cirurgias".

Mesmo dois anos após a explosão, ela ainda sofre muito com o trauma. "Eu testemunhei a explosão, mas não consigo me lembrar de nada."

Grupos de direitos humanos mantiveram os pedidos de investigação sobre a explosão.

"Dois anos após o trauma, os efeitos ainda são amplamente sentidos, pois as vítimas ainda não têm respostas”, argumenta Lama Fakih, diretora da divisão Oriente Médio e Norte da África da Human Rights Watch, à DW.

Fakih diz que é difícil acreditar que nenhum dos funcionários do governo, como o então primeiro-ministro interino Hassan Diab, tenham sido responsabilizados, mas entre 10 e 20 trabalhadores portuários civis estejam detidos desde a explosão. "Eles não têm chance de se defender enquanto a investigação estiver suspensa", afirma Fakih à DW.

Do jeito que as coisas estão, ela teme que "a situação não mude tão cedo".

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