Elefante asiático se agrupa como proteção contra humanos, revela estudo

Elefante asiático: machos mostram tendência crescente de se agruparem quando estão em ambientes com presença humana. Foto: IUCN

Quando perto de humanos, os elefantes asiáticos (Elephas maximus) machos mostram uma tendência crescente de se agrupar. Segundo um estudo indiano publicado no periódico “Scientific Reports” e abordado na revista “Cosmos”, a ocorrência pode ser uma adaptação comportamental originada da necessidade de proteção desses animais ameaçados frente a um inimigo poderoso, mesmo que por vezes não haja a intenção de agredi-los.

A progressiva perda de habitat tem deixado muitos elefantes asiáticos desabrigados, e o número de confrontos com humanos que querem proteger a si próprios e a suas colheitas tem aumentado. Na Índia, cerca de 150 elefantes morrem anualmente por acidentes, eletrocussão, envenenamento ou tiros.

Segundo o principal autor do estudo, Nishant Srinivasaiah, do Instituto Nacional de Estudos Avançados, Comportamento Animal e Programa de Cognição, em Bengaluru, sobram duas opções para os jovens elefantes machos que habitam essas regiões. Eles podem aprender através de tentativa e erro ou aproveitar a experiência de elefantes mais velhos, que tiveram mais contatos com humanos.

Srinivasaiah e seus colegas analisaram 1.445 fotos de 248 elefantes machos coletados no sul da Índia durante 23 meses. Segundo suas observações, machos adolescentes, sexualmente maduros e socialmente imaturos, reuniam-se em grandes grupos quando estavam em áreas não florestais ou terras usadas para a agricultura.

Os cientistas assinalam que os maiores agrupamentos foram observados em áreas com alta disponibilidade de cultivos, e seus integrantes apresentavam melhor condição corporal do que os machos adultos solitários.

Com esse comportamento adaptativo, afirmam os pesquisadores, os animais otimizam sua ingestão de nutrientes e condicionamento reprodutivo, além de se proteger melhor dos humanos. O “surgimento de grandes grupos estáveis ​​de machos em resposta a fatores ambientais extrínsecos é um fenômeno bastante novo”, escrevem os autores.

Segundo Srinivasaiah, a pesquisa mostra que os elefantes são seres altamente inteligentes e, “em um cenário em rápida mudança, eles precisam atualizar seu modelo mental da realidade o tempo todo para sobreviver”.