Embrapa desenvolve hambúrguer brasileiro sem carne

Produto feito à base de vegetais como caju, soja e tomate, já começou a ser vendido em supermercados no Rio de Janeiro

Novo Burguer: versão criada no Brasil do hambúrguer sem carne. Crédito: Embrapa/Divulgação

Já está à venda em rede de supermercados no estado do Rio de Janeiro um hambúrguer que tem gosto tradicional, mas não é feito de carne animal. O “Novo Burguer”, no comércio há dois meses, é feito com fibra de caju, proteína de soja, cebola, tomate, pimentão, corante natural e temperos, e tem características sensoriais assemelhadas ao hambúrguer de carne.

O produto foi criado para pessoas batizadas como “flexitarianos” – indivíduos que, apesar de gostarem de carne, querem balancear a dieta e buscam reduzir o consumo desse produto. “São diferentes de vegetarianos ou veganos, que não gostam do sabor da carne e não querem alimentos que simulem a carne”, explica a engenheira de alimentos Janice Ribeiro Lima.

Lima é pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, na unidade da estatal responsável por desenvolver agroindústria de alimentos, situada no Rio de Janeiro. Ela começou a criar alternativas para a carne em pesquisas iniciadas em 2007, quando ainda trabalhava na Embrapa do Ceará.

LEIA TAMBÉM: Maior parte da “carne” comida em 2040 não virá de animais mortos

Recheios substitutos

Janice Lima e as equipes de pesquisadores já desenvolveram outros produtos como o hambúrguer de fibra de caju e de feijão-de-corda para vegetarianos e também substitutos para rechear coxinha de galinha e bolinho de siri.

A pesquisadora explica que o objetivo do seu trabalho “não é que as pessoas parem de comer carne, mas dar mais uma opção”. Segundo ela, a produção de produtos com proteína vegetal pode ser menos onerosa que a proteína animal. Um caso especial é o do Novo Burguer, que utiliza o bagaço do caju, geralmente eliminado pela indústria de suco ou revendido para alimentação de animais.

Janice Lima não sabe o preço final de comercialização, mas assinala que o custo é maior do que o hambúrguer tradicional, que tem maior produção em escala, distribuição e venda. O produto é fabricado e comercializado pela Sottile Alimentos, empresa de Niterói (RJ), que tem acordo de cooperação com a Embrapa.