Emissões de CO2 têm de cair 7,6% ao ano para evitar “catástrofe climática”

Medida é fundamental para evitar as consequências assustadoras de um aumento de temperatura de mais de 3 °C no planeta

Gases-estufa: o Brasil está entre os países que terão de se aplicar mais para reduzir essas emissões. Crédito: Agência Brasil/Arquivo

O relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgado hoje (26 de novembro) alertou que é preciso reduzir em 7,6% a emissão de gases de efeito estufa no período entre 2020 e 2030 para evitar uma “catástrofe climática”. O documento do organismo da ONU indicou que, sem essa redução, a temperatura do planeta pode aumentar 3,2 °C. Pelo acordo de Paris sobre o aquecimento global, a previsão seria de aumento de 1,5 °C na temperatura até ao fim do século. Mesmo diante do risco, representantes do Pnuma afirmaram que não há sinal de esforço nesse sentido e que os acordos atuais para a redução das emissões são insuficientes.

Os dados mostram que em 2018, o total de emissões de CO2 atingiu níveis recordes e, na última década, as emissões aumentaram 1,5% por ano.

No ano passado, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) alertou que o aumento de mais de 1,5 °C por ano no século terá efeitos destrutivos para a vida dos humanos, animais e plantas em todo o mundo.

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A ONU diz agora que os países mais ricos falharam no corte de emissões com a rapidez necessária. Segundo o organismo, 15 dos 20 países mais ricos do mundo não têm sequer um plano para atingir o nível zero de emissões.

Falha coletiva

“Coletivamente, os países falharam em parar o crescimento das emissões de gases com efeito de estufa, o que significa que agora são necessários cortes mais profundos e mais rápidos”, destaca o relatório.

Diretora do Pnuma, Inger Anderson afirmou que os países não podem mais adiar medidas necessárias para mudar o cenário. Os cortes agora propostos, de 7,6%, “mostram que os países simplesmente não podem esperar”, acrescentou.

“Temos de acelerar para compensar os anos em que ‘deixamos para mais tarde’. Se não fizermos isso, o valor de +1,5 °C será atingido antes de 2030”, reforçou Anderson.

O relatório analisa as ações dos países ricos que integram o G20, responsáveis por 78% das emissões de CO2. Sete desses países têm de aplicar mais medidas para cumprir as suas promessas atuais. Neste grupo estão Austrália, Canadá, Brasil, Japão, República da Coreia, África do Sul e Estados Unidos.

Na próxima semana, Madri receberá o COP25, a conferência das Nações Unidas para as alterações climáticas de 2019 e, em 2020, a expectativa é que esses países definam metas mais ambiciosas no âmbito do Acordo de Paris.

 

* Com informações da RTP, emissora pública de televisão de Portugal.