Ensinar por meio da natureza

Tatiana Brandão Perim, publicitária, é fundadora e diretora executiva do Ekôa Park, em Morretes (PR)

Todos sabemos do poder transformador, quase mágico, que a natureza exerce sobre nós. Na verdade, é até uma questão de lógica – afinal, fazemos parte da natureza, então é normal que essa relação de plenitude se manifeste ao estarmos em contato com ela. Entretanto, notamos que, por motivos diversos, as crianças passam hoje menos tempo ao ar livre e, consequentemente, desconectam-se de princípios fundamentais que a natureza nos ensina, como a ética do cuidado, a harmonia, o respeito e o cooperativismo.

A educação ambiental tornou-se lei no Brasil em 27 de abril de 1999, com o número 9.795. No artigo 2 dessa lei, está escrito: “A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal”. Mesmo que essa iniciativa seja de certa forma recente, vemos um país preocupado com a formação de cidadãos mais conscientes.

O Brasil é o único país da América Latina que possui uma política nacional voltada para a educação ambiental. Ainda assim, estamos aquém dos resultados desejados. É preciso ir além e oferecer um suporte maior aos educadores, seja através de materiais didáticos, novas técnicas de ensino ou até mesmo novos espaços de aprendizagem. Mas, sobretudo, é crucial restituirmos às crianças esse habitat primordial, engajá-las na natureza e, por meio dela, trabalharmos temas e atividades de educação ambiental que possam efetivamente conduzir a uma real reflexão sobre as questões ecológicas.

Ensinar por meio da natureza é exatamente a proposta que o Ekôa Park traz para escolas de todo o Brasil que queiram promover atividades pedagógicas fora das quatro paredes da sala de aula. O espaço de aprendizagem é uma área de 238 hectares de floresta nativa de Mata Atlântica localizada no município de Mor­retes, na região litorânea do Paraná. Não se trata apenas de aprender ali, mas sim de sentir para conhecer.

A partir de trilhas com objetivos pedagógicos, oficinas e jogos, o parque promove uma relação de diversão com aprendizagem, buscando resgatar valores e extrapolar a transmissão do conhecimento através de atividades imersivas voltadas para o cuidado com o meio ambiente. Confúcio sabiamente disse: “Conte-me e eu esqueço. Mostre-me e eu apenas me lembro. Envolva-me e eu compreendo”. Acredito que só assim a educação ambiental fará seu papel com maestria, envolvendo e despertando na criança sua verdadeira natureza.

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