Entre a extinção e a sobrevivência

Enquanto o tigre-de-sumatra corre o risco de desaparecer da Indonésia.

O tigre-de-sumatra (Panthera tigris sumatrae), que habita a ilha de Sumatra, na Indonésia, é uma das espécies mais ameaçadas de extinção. Não é para menos: cada grama de osso do animal vale cerca de R$ 200. E mais: cada tigre rende em média R$ 20 mil no mercado negro. Isso porque, na medicina chinesa, acredita-se que ingerir os olhos do felino pode controlar a epilepsia e curar a malária. Já com as suas garras, dentes e ossos fabricam-se jóias caras, e sua pele é tida como troféu pelos ricos.

Pesquisa na qual foram abordados 326 ourives e proprietários de casas de medicina tradicional chinesa e de lojas de suvenires e de antigüidades comprovou que 23 animais foram sacrificados para compor todo o acervo encontrado. “Estimamos que pelo menos 52 tigres foram abatidos por ano no período de 1990 a 2002”, diz Julia Ng, autora do relatório The Tiger Trade Revisited in Sumatra.

De acordo com a pesquisadora, a população de tigres-de-sumatra caiu de 1.000, em 1970, para 400 ou 500 animais, em 2006. “Assim, não é preciso ser um matemático para prever que o tigre-de-sumatra vai desaparecer, como os de Java e Bali”, afirma Julia.

Enquanto isso, no Brasil, algumas aves ameaçadas têm conseguido sobreviver e até mesmo aumentar sua população, apesar de toda inter venção humana. Segundo revela o levantamento feito pela bióloga Sandra Agnello, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP (Esalq), para sua tese de mestrado “Composição, Estrutura e Conservação da Comunidade de Aves da Mata Atlântica no Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Cubatão, São Paulo”, foram encontradas espécies de aves em alto risco de extinção na área estudada. Entre elas estavam o papagaio-de-cara-roxa, o gavião-pomba, a mãe-da-lua e o macuco.

“Não esperava encontrar espécies indicadoras de qualidade na região, pois se trata de uma área muito degradada devido à construção da rodovia Anchieta– Imigrantes”, observa a bióloga. Em sua pesquisa, ela listou cerca de 170 espécies e constatou que 49% delas habitam a borda da floresta, área mais próxima à rodovia, que é o local onde se encontra a maior distribuição de frutos e bandos.

A autora também comparou seu estudo aos realizados na área de mata cortada pela Estrada Petrobras, em Salesópolis (SP), e na Juréia (SP), lugares mais preservados do que o Núcleo Cubatão. O resultado da comparação foi similar, o que implica dizer que as áreas modificadas pela ação humana ainda conseguem preservar a fauna e a flora originais.

 

COMPARTILHAR
blog comments powered by Disqus