Equipe com cientistas brasileiros descobre novo pterossauro no Líbano

Réptil alado viveu há 95 milhões de anos e alimentava-se de crustáceos

Concepção artística do Mimodactylus libanensis: extensão das asas lhe permitia fazer altos voos entre ilhas. Crédito: Julius T. Csotonyi

Uma equipe internacional de paleontologistas, com participação de brasileiros, descobriu no Líbano os restos fossilizados, muito bem preservados, de um réptil voador do período Cretáceo anteriormente desconhecido. O artigo sobre esse animal foi publicado na revista “Scientific Reports”.

Os pterossauros eram répteis voadores contemporâneos dos dinossauros, que viveram entre 210 e 65 milhões de anos atrás. Alguns deles foram os maiores animais voadores de todos os tempos, com envergadura superior a 9 metros e altura comparável à das girafas modernas.

Denominada Mimodactylus libanensis, a espécie recém-descoberta era um pterossauro considerado pequeno, com asas longas e uma envergadura de aproximadamente 1,32 metro. Esse animal viveu 95 milhões de anos atrás no meio do que hoje é chamado de Mar de Tétis, uma vasta extensão de águas marinhas rasas cheias de recifes e lagoas que separava a Europa da África e se estendia até o sudeste da Ásia.

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“A diversidade de pterossauros era muito maior do que poderíamos imaginar, e é provavelmente uma ordem de magnitude mais diversa do que poderemos descobrir a partir do registro fóssil”, disse o professor Michael Caldwell, paleontologista da Universidade de Alberta (Canadá) e um dos autores do estudo.

Asa comprida

O esqueleto quase completo do Mimodactylus libanensis (incluindo o crânio e a mandíbula) foi recuperado num sítio próximo à cidade de Hjoûla, Líbano.

“A asa dessa espécie é comprida em relação ao resto do corpo, sugerindo que ela conseguia fazer altos voos entre as ilhas”, afirmou Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e primeiro autor do artigo. “Sua estrutura óssea é propícia para a alimentação de crustáceos, o que é muito incomum. A maioria dos pterossauros comia insetos ou peixes.”

Esse réptil alado provavelmente capturava suas presas na superfície, assim como as aves marinhas modernas, como o albatroz e a fragata. Ele difere das outras espécies de pterossauros afro-árabes nomeadas até o momento e está intimamente relacionado à espécie chinesa Haopterus gracilis, formando um novo grupo de pterossauros dentados.

“Isso significa que esse pterodátilo libanês fazia parte de uma irradiação de répteis voadores que viviam dentro e ao redor do antigo Mar de Tétis, da China a um grande sistema de recifes no que é hoje o Líbano”, disse Caldwell.

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