Uma câmara funerária anglo-saxônica encontrada por acaso durante a ampliação de uma estrada vicinal revela o equivalente britânico do túmulo de Tutankamon. O rico e poderoso homem anglo-saxão estava enterrado no distrito de Prittlewell, ao lado da cidade de Southend-on-Sea, no condado de Essex. Ele foi descoberto em 2003, e só agora, depois de anos de meticulosos estudos de mais de 40 especialistas, estão sendo reveladas as grandes descobertas feitas.

Topo de recipientes de bebida que permitiram a datação por carbono da câmara mortuária (Crédito: Museu de Arqueologia de Londres – Mola)

A pesquisa revelou objetos anteriormente escondidos, permitiu que se criasse uma imagem de como era a câmara funerária e oferece novas evidências de como o condado de Essex estava na vanguarda da cultura, religião e intercâmbio com outros países em todo o Mar do Norte.

O nome mais provável dessa poderosa figura anglo-saxônica para quem a sepultura foi construída é Seaxa, irmão de um rei dos saxões do leste, Saebert, filhos de Sledd. Este último foi a primeira aposta, mas houve uma incompatibilidade de datas: Saebert morreu por volta de 616 e a datação científica desse enterro aponta no final do século VI, cerca de 580. A confirmação, de qualquer forma, será difícil, já que o corpo se dissolveu e restaram apenas pequenos fragmentos de seu esmalte dentário.

Cruzes de folha de ouro foram encontradas no túmulo indicando que ele era um cristão, fato que também surpreendeu os historiadores. Era notavelmente cedo para a adoção do cristianismo na Inglaterra, antes da missão de Agostinho de converter o país do paganismo. Mas esse fato poderia ser explicado porque a mãe de Seaxa, Ricula, era irmã do rei Ethelbert de Kent, que era casado com uma princesa cristã franca chamada Bertha.

Objetos encontrados na câmara mortuária (no sentido horário a partir do canto superior esquerdo): fivelas de cinto de ouro, jarro de liga de cobre do Mediterrâneo, tigela decorativa e moedas. (Crédito: Museu de Arqueologia de Londres – Mola)

Com isso, a  sugere que Essex, reino dos saxões do leste, não era o remanso anglo-saxão, como costumava ser visto. Para os historiadores, representa que as pessoas em Essex estavam realmente à frente das mudanças políticas e religiosas que aconteciam à época.

O anúncio das descobertas coincidem com a inauguração de uma nova mostra permanente de objetos de enterros de príncipes de Prittlewell, no Museu Southend Central, que abre no sábado. Já a câmara funerária é possível ver on-line em www.prittlewellprincelyburial.org