Erupções vulcânicas contribuíram para o colapso de dinastias da China

Colapsos ocorriam nos anos seguintes às erupções vulcânicas, a partir de desequilíbrios políticos e socioeconômicos

Erupções vulcânicas contribuíram para o colapso de dinastias na China nos últimos 2 mil anos, resfriando temporariamente o clima e afetando a agricultura, de acordo com um estudo de pesquisadores internacionais. Crédito: Universidade Rutgers – New Brunswick

Erupções vulcânicas contribuíram para o colapso das dinastias na China nos últimos 2 mil anos, resfriando temporariamente o clima e afetando a agricultura, de acordo com uma equipe internacional de cientistas liderada por Chaochao Gao, da Universidade Zhejiang (China), e Francis Ludlow, do Trinity College Dublin (Irlanda). Seu estudo foi publicado na revista Nature Communications Earth & Environment.

Grandes erupções criam uma nuvem que bloqueia a luz solar por um ou dois anos. Isso reduz o aquecimento da terra na Ásia no verão e leva a monções mais fracas e menos chuvas, reduzindo as colheitas.

“Confirmamos pela primeira vez que o colapso de dinastias na China nos últimos 2 mil anos é mais provável nos anos após as erupções vulcânicas”, disse o coautor do estudo Alan Robock, professor do Departamento de Ciências Ambientais da Escola de Meio Ambiente e Ciências Biológicas na Universidade Rutgers (EUA). “Mas a relação é complexa porque se houver guerra e conflito em andamento, as dinastias são mais suscetíveis ao colapso. O impacto de um clima resfriado nas plantações também pode tornar o conflito mais provável, aumentando ainda mais a probabilidade de colapso.”

Bloqueio da luz solar

Os cientistas reconstituíram 156 erupções vulcânicas explosivas de 1 d.C. a 1915, examinando níveis elevados de sulfato em núcleos de gelo da Groenlândia e da Antártida, de acordo com o estudo. Também foram analisados documentos históricos da China em 68 dinastias e das guerras ocorridas no país entre 850 e 1911.

Vulcões em erupção podem bombear milhões de toneladas de dióxido de enxofre para a alta atmosfera. As emissões formam vastas nuvens de ácido sulfúrico, que refletem a luz do sol e reduzem a temperatura média da superfície da Terra.

Grandes erupções podem levar a “um risco duplo de acentuado frio e secura durante a estação de cultivo agrícola”, diz o estudo. Os impactos podem ser agravados por mortes de gado, degradação acelerada da terra e mais danos às colheitas por pragas agrícolas que sobrevivem durante invernos mais amenos.

Os cientistas descobriram que “choques” vulcânicos menores no clima podem causar o colapso de dinastias quando o estresse político e socioeconômico já é alto. Choques maiores podem levar a colapsos sem tensão preexistente substancial. Outros fatores incluem liderança deficiente, corrupção administrativa e pressões demográficas.

Preparação para futuras erupções

“Mandato do céu”, um influente conceito chinês, permitia alguma continuidade entre as dinastias. Elites e “plebeus” aceitavam mais prontamente uma nova dinastia que, ao tomar o poder, demonstrava um mandato divino para governar que a antiga dinastia havia perdido.

As descobertas dos cientistas enfatizam a necessidade de se preparar para futuras erupções, especialmente em regiões com populações economicamente vulneráveis (talvez comparáveis ​​às dinastias Ming e Tang na China) e/ou que tenham um histórico de má gestão de recursos, como na Síria antes do levante de 2011, que pode ter sido parcialmente desencadeada pela seca.

As erupções durante os séculos 20 e 21 foram menores do que muitas durante a China imperial. Ainda assim, erupções moderadas podem ter influenciado a seca do Sahel (África) nas décadas de 1970 a 1990, que contribuiu para cerca de 250 mil mortes e resultou em 10 milhões de refugiados nessta região economicamente marginalizada. Grandes erupções futuras, combinadas com as mudanças climáticas, provavelmente afetarão profundamente a agricultura em algumas das regiões mais populosas e marginalizadas da Terra, afirma o estudo.

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