Esqueleto de general de Napoleão é encontrado no oeste da Rússia

Os restos de Charles Étienne Gudin, um dos preferidos de Napoleão Bonaparte, morto por uma bala de canhão em 1812, estavam sob as fundações de uma construção

Gudin: DNA confirmou a identificação. Crédito: pintura de Georges Rouget, 1839/Museu do Exército

Testes de DNA confirmaram que o esqueleto com uma perna encontrado sob uma edificação no oeste da Rússia era realmente de Charles Étienne Gudin, general de Napoleão Bonaparte. A informação, divulgada pelas redes noticiosas BBC e CNN, foi dada por arqueólogos franceses após a comparação desses restos mortais com os de Pierre César Gudin, irmão de Charles e também general napoleônico.

Gudin foi atingido por uma bala de canhão na batalha de Valutino, perto de Smolensk (cerca de 400 quilômetros a oeste de Moscou), durante a invasão francesa da Rússia em 1812. Forçado a amputar a perna, ele morreu três dias depois, de gangrena, quando tinha 44 anos. Seu coração foi levado de volta à França.

O esqueleto foi descoberto em julho por uma equipe de arqueólogos franceses e russos, em um caixão de madeira sob as fundações de um edifício.

Liderada pelo francês Pierre Malinowski, historiador que teve o apoio do Kremlin, a busca pelos restos mortais de Gudin começou em maio. Malinowski disse à CNN que, depois de desenterrar os restos mortais, voou de Moscou a Marselha, com parte do fêmur e dentes do esqueleto dentro de sua mala, para comparar o DNA com os da mãe, do irmão e do filho do general.

LEIA TAMBÉM: Arqueólogos encontram membros amputados em escavações da Batalha de Waterloo

“Um professor em Marselha realizou testes extensivos e o DNA corresponde a 100%”, declarou Malinowski à CNN. “Valeu a pena o trabalho.”

“A morte do general Gudin na batalha de Valutino”, quadro de Henri Félix Emmanuel Philippoteaux, séc. 19
Veterano de guerras

Na época de sua morte, em 22 de agosto de 1812, o exército francês removeu o coração de Gudin e o enterrou em uma capela no cemitério de Père Lachaise, em Paris.

Os pesquisadores usaram como base das buscas as memórias de Louis Nicolas Davout, outro general francês da era napoleônica, que organizou o funeral de Gudin e descreveu o local. Em seguida, o relato de outra testemunha desses eventos os levou ao caixão.

Aristocrata de nascimento, Gudin era um veterano das guerras revolucionárias francesa e napoleônica. Ele frequentou a mesma escola militar que Napoleão Bonaparte e acredita-se ter sido um dos generais favoritos do imperador francês. Foi uma personalidade em sua época: um busto semelhante a ele está no Palácio de Versalhes, seu nome está inscrito no monumento do Arco do Triunfo, em Paris, e uma rua na capital francesa leva seu nome.

A campanha militar napoleônica terminou em um recuo desastroso de Moscou em 1812. Depois de capturar a capital russa, após a retirada das forças russas, durante um inverno rigoroso, Napoleão percebeu que seu exército, considerado imbatível, também precisava voltar. O chamado “General Inverno” devastou as tropas francesas, impondo-lhes doenças, frio e fome.