Estrelas estão nascendo das profundezas de buraco negro

Cerca de 500 novos sóis estão surgindo por ano no buraco negro localizado em aglomerado de galáxias na constelação da Fênix

Aglomerado de galáxias na constelação da Fênix: o buraco negro central dali está estimulando a formação de estrelas em ritmo alucinante. Crédito: Nasa/CXC/SAO/G. Schellenberger et al. (raio X:); SDSS (óptico)

Astrônomos confirmaram o primeiro exemplo de um aglomerado de galáxias em que um grande número de estrelas está nascendo em seu núcleo. O aglomerado está localizado a cerca de 5,8 bilhões de anos-luz da Terra, na constelação da Fênix.

Maiores estruturas do cosmos mantidas juntas pela gravidade, os aglomerados de galáxias consistem em centenas ou milhares de galáxias embutidas em gás quente, além de matéria escura invisível. Os maiores buracos negros supermassivos conhecidos estão em galáxias situadas no centro desses aglomerados.

Durante décadas, os astrônomos procuraram aglomerados de galáxias contendo ricos berçários de estrelas em suas galáxias centrais. Em vez disso, eles encontraram buracos negros gigantes e poderosos, bombeando energia através de jatos de partículas de alta energia e mantendo o gás quente demais para formar muitas estrelas.

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Evidências firmes

Agora, os cientistas têm evidências convincentes de um aglomerado de galáxias em que estrelas se formam a uma velocidade furiosa, aparentemente ligadas a um buraco negro menos eficaz em seu centro. Nesse aglomerado único, os jatos do buraco negro central parecem ajudar na formação de estrelas. Ali, o gás perde energia à medida que brilha nos raios X e esfria, permitindo a formação de um grande número de estrelas a uma taxa estonteante. Enquanto nossa Via Láctea forma em média uma estrela por ano, as estrelas recém-nascidas estão saindo desse gás frio a uma taxa de cerca de 500 massas solares por ano no aglomerado da Fênix.

Para desvendar esse mistério, os cientistas precisaram do poder combinado do Telescópio Espacial Hubble da Nasa, do Observatório de Raios X Chandra da Nasa e do observatório de rádio Very Large Array (VLA), no Novo México (EUA).

Os dados de rádio do VLA revelam jatos saindo da vizinhança do buraco negro central. Esses jatos inflaram bolhas no gás quente detectado em raios X pelo Chandra. O Hubble distingue filamentos azuis brilhantes de estrelas recém-nascidas em cavidades entre o jato quente e as nuvens de gás. À medida que o buraco negro se tornou mais maciço e mais poderoso, sua influência aumentou.