Estrutura de mariposa que abafa som pode inspirar aparelhos antirruídos

Cientistas conseguem decifrar como escamas nas asas de duas espécies de mariposa conseguem neutralizar as ondas de ultrassom emitidas por seus predadores morcegos

Representação tridimensional do arranjo de escamas da asa de mariposas (à esq.). Exemplar de Antheraea pernyi (à dir.). Créditos: Simon Reichel, Thomas Neil, Zhiyuan Shen e Marc Holderied/ Wikimedia Commons

Estruturas microscópicas na escama das asas de duas espécies de mariposa – a chinesa Antheraea pernyi e a africana Dactyloceras lucina – são capazes de absorver grande parte das ondas de ultrassom emitidas por seus principais predadores, os morcegos, constataram pesquisadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido (“PNAS”, 8 de dezembro).

Em suas caçadas noturnas, os morcegos emitem silvos e guinchos ultrassônicos. Essas ondas batem no corpo das presas e retornam ao ouvido desses mamíferos alados, permitindo-lhes localizar o jantar.

A equipe liderada pelo biólogo acústico Marc Holderied, de Bristol, observou que as escamas das asas das mariposas vibram e abafam as ondas ultrassônicas. Cada escama tem 1 milímetro de comprimento e 200 micrômetros de espessura. Combinadas, as dezenas de milhares de escamas absorvem mais ultrassom que a soma de suas partes, abafando uma faixa de frequências entre 20 quilo-hertz (kHz) e 160 kHz e criando uma camuflagem sonora que dificulta a localização das mariposas.

A nanoestrutura descoberta pode inspirar o desenvolvimento de novos materiais redutores de ruídos.

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