Estudo identifica 21 remédios prontos que poderiam tratar covid-19

Entre esses medicamentos há vários que melhoram a atividade do remdesivir, um tratamento padrão atual para a doença

Remédios já existentes podem ajudar a controlar a pandemia de covid-19. Crédito: BC Y/Pixabay

Um estudo de autoria de uma equipe global de cientistas liderada pelo dr. Sumit Chanda, professor do Sanford Burnham Prebys Medical Discovery Institute (EUA), identificou 21 medicamentos existentes que impedem a replicação do SARS-CoV-2, o vírus que causa a covid-19. O trabalho foi publicado na revista “Nature”.

Os cientistas analisaram uma das maiores coleções mundiais de medicamentos conhecidos por sua capacidade de bloquear a replicação do SARS-CoV-2. Encontraram ali 100 moléculas com atividade antiviral confirmada em testes de laboratório. Desses, 21 medicamentos foram considerados eficazes em concentrações que poderiam ser alcançadas com segurança em pacientes. Observou-se que quatro desses compostos funcionam sinergicamente com o remdesivir, um tratamento padrão atual para a covid-19.

“O remdesivir provou ser bem-sucedido em reduzir o tempo de recuperação de pacientes no hospital, mas o medicamento não funciona para todos que o recebem. Isso não é bom o suficiente”, diz Chanda, diretor do Programa de Imunidade e Patogênese da Sanford Burnham Prebys e autor sênior do estudo. “Como as taxas de infecção continuam a aumentar nos Estados Unidos e no mundo, permanece a urgência de encontrar medicamentos acessíveis, eficazes e prontamente disponíveis que possam complementar o uso do remdesivir, bem como medicamentos que possam ser administrados profilaticamente ou ao primeiro sinal de infecção ambulatorial.”

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Testes extensivos

A equipe realizou extensos testes e estudos de validação, incluindo a avaliação de medicamentos em biópsias de pulmão humano infectado pelo vírus, avaliação de remédios em busca de sinergias com remdesivir e estabelecimento de relações dose-resposta entre os medicamentos e a atividade antiviral.

Dos 21 medicamentos que foram eficazes no bloqueio da replicação viral, os cientistas descobriram que:

1) Treze já entraram em ensaios clínicos para outras indicações e são eficazes em concentrações ou doses que poderiam ser aplicadas com segurança em pacientes com covid-19.

2) Dois já foram aprovados pela FDA [agência americana que regula alimentos e remédios]: astemizol (alergias) e clofazamina (hanseníase). O remdesivir recebeu a Autorização de Uso de Emergência da agência (covid-19).

3) Quatro trabalharam sinergicamente com o remdesivir. Entre eles está o derivado da cloroquina hanfangchin A (tetrandrina), medicamento antimalárico que atingiu os ensaios clínicos da Fase 3.

Expansão significativa

“Este estudo expande significativamente as possíveis opções terapêuticas para pacientes com covid-19, especialmente porque muitas das moléculas já possuem dados de segurança clínica em humanos”, diz Chanda. “Este relatório fornece à comunidade científica um arsenal maior de armas em potencial que podem ajudar a colocar a pandemia global em curso sob controle.”

Os pesquisadores estão atualmente testando todos os 21 compostos. Os testes ocorrem em pequenos animais de testes e “minipulmões”, ou organoides do pulmão, que imitam o tecido humano. Se esses estudos forem favoráveis, a equipe entrará em contato com a FDA dos EUA para discutir a possibilidade de um ou mais ensaios clínicos dedicados a avaliar os remédios como tratamentos para a covid-19.

“Com base em nossa análise atual, clofazimina, hanfangchin A, apilimod e ONO 5334 representam as melhores opções de curto prazo para um tratamento eficaz de covid-19”, diz Chanda. “Enquanto alguns desses medicamentos estão atualmente em testes clínicos para a covid-19, acreditamos que é importante buscar candidatos a remédios adicionais. Portanto, temos várias opções terapêuticas se o SARS-CoV-2 se tornar resistente a medicamentos.”

Triagem de reaproveitamento

Os medicamentos foram identificados pela triagem de alto rendimento de mais de 12 mil itens da coleção de reaproveitamento de remédios ReFRAME. Essa é a coleção mais abrangente de reaproveitamento de medicamentos aprovados pela FDA para outras doenças ou que foram testados extensivamente quanto à segurança humana.

O dr. Arnab Chatterjee, vice-presidente de química medicinal da Calibr e coautor do artigo, diz que o ReFRAME foi criado para lidar com áreas de necessidade médica urgente e não atendida, especialmente doenças tropicais negligenciadas. “Percebemos, no início da pandemia da covid-19, que o ReFRAME seria um recurso inestimável para a triagem de medicamentos passíveis de redirecionamento contra o novo coronavírus”, diz Chatterjee.

O rastreamento das drogas foi concluído o mais rápido possível devido à parceria de Chanda com dois cientistas. Um deles é o descobridor do primeiro vírus da SARS, dr. Kwok-Yung Yuen, diretor de doenças infecciosas da Universidade de Hong Kong. O outro é o dr. Shuofeng Yuan, Ph.D., professor assistente de pesquisa no Departamento de Microbiologia da Universidade de Hong Kong, que teve acesso ao vírus SARS-CoV-2 em fevereiro de 2020.

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