Estudos indicam que três doses da Pfizer neutralizam ômicron

Farmacêutica afirma que dose de reforço de sua vacina para covid-19 garante a mesma proteção contra a ômicron que a oferecida contra variantes anteriores. Duas doses seguem eficazes contra casos graves da doença

Três doses da vacina para a covid-19 da Pfizer-BioNTech oferecem proteção ampla contra a variante ômicron do coronavírus, afirmaram as fabricantes nesta quarta-feira (08/12), com base em estudos preliminares próprios.

A administração de apenas duas doses, no entanto, apresentou eficácia reduzida contra a nova variante, embora já garanta proteção contra casos graves da doença.

Segundo as empresas, três doses da vacina resultaram num aumento de anticorpos neutralizantes, oferecendo uma proteção semelhante contra a ômicron à oferecida por duas doses contra as variantes anteriores do coronavírus.

As declarações corroboram as dadas anteriormente pelo especialista da Organização Mundial da Saúde (OMS) Michael Ryan e pelo cientista sul-africano Alex Sigal, do Instituto de Pesquisas em Saúde da África (AHRI), que também identificaram menor proteção de duas doses da vacina contra a ômicron.

A Pfizer e a BioNTech comunicaram que um grupo de pacientes que recebeu duas doses do imunizante apresentou uma eficácia contra a nova cepa 25 vezes menor do que contra o patógeno original.

As farmacêuticas afirmaram ainda que podem produzir uma vacina adaptada à ômicron até o fim de março de 2022.

É possível que todas as vacinas existentes tenham que ser adaptadas, sugeriu a virologista alemã Sandra Ciesek, do hospital universitário de Frankfurt am Main. “Os dados confirmam que o desenvolvimento de uma vacina adaptada à ômicron faz sentido”, afirmou.

Vacinas protegem

Nesta terça-feira, um estudo preliminar divulgado na África do Sul também indicou que duas doses da vacina da Pfizer-BioNTech têm eficácia reduzida contra a ômicron.

Segundo os resultados, a quantidade de anticorpos contra a ômicron em pessoas vacinadas é significativamente menor em comparação com outras variantes. Já naqueles vacinados e que foram infectados, a diferença não é tão grande.

No estudo, baseado na análise dos efeitos da ômicron sobre amostras de sangue de 12 pessoas duas vezes vacinadas com o imunizante da Pfizer-BioNTech, foi observado um declínio 41 vezes maior no nível de anticorpos neutralizantes contra a variante ômicron na comparação com o coronavírus original.

Mesmo assim, os cientistas sul-africanos sublinharam que as vacinas já existentes protegem contra uma evolução grave da covid-19 e contra a morte mesmo no caso de uma infecção com a ômicron.

Vacinas eficazes

Já Ryan, da OMS, observou que a ômicron parece ser mais transmissível, mas destacou que dados preliminares não indicam que a variante cause quadros mais severos da covid-19.

Ele também disse ser improvável que a nova variante consiga anular completamente a proteção oferecida pelas vacinas já existentes.

“Temos vacinas altamente eficazes, que mostraram eficácia contra todas as variantes do vírus até aqui no que se refere a evoluções graves e hospitalizações”, disse.

“Não há qualquer motivo para supor que esse não seja o caso com a ômicron”, acrescentou. Ele ressaltou ainda que a melhor arma disponível contra o novo coronavírus é a vacina.

Sintomas menos severos

Nesta segunda-feira, cientistas na África do Sul divulgaram um outro estudo preliminarque indica que a ômicron, mesmo sendo mais transmissível, pode levar a sintomas menos severos em comparação com variantes anteriores.

Eles ressalvaram, porém, que se trata de dados preliminares e destacaram que uma transmissibilidade mais elevada, por si só, já pode lotar hospitais e colocar sistemas de saúde em colapso.

No domingo, o conselheiro da Casa Branca para a crise sanitária, Anthony Fauci, afirmou que os primeiros sinais vindos da África do Sul sobre a gravidade dos casos associados à variante ômicron são “encorajadores”, mas também sublinhou que são dados preliminares.

“Claramente, na África do Sul, a ômicron está se propagando mais”, disse o epidemiologista em entrevista à emissora CNN. “Mas, até agora, mesmo sendo muito cedo para tirar conclusões definitivas, não se pode dizer que apresente um alto grau de gravidade”, declarou. “Os sinais sobre a gravidade são um tanto encorajadores”, repetiu.

No Reino Unido, o secretário da Saúde, Sajid Javid, disse não ter conhecimento de nenhuma pessoa hospitalizada por causa de uma infecção com a ômicron. Porém, ele confirmou apenas 336 casos até esta terça-feira.

Já a OMS comunicou não ter sido informada de nenhuma morte por ômicron até o momento.

as/ek (Reuters, AFP, DPA)

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