EUA divulgam resultados promissores sobre remédio contra covid-19

Pacientes que usaram antiviral Remdesivir mostraram recuperação mais rápida

Remdesivir: em teste nos EUA, antiviral reduziu tempo de recuperação de 15 para 11 dias. Crédito: Reprodução/Twitter

Os resultados de um ensaio clínico nos Estados Unidos (EUA), divulgados ontem (29 de abril), mostram que os pacientes que foram medicados com o remédio Remdesivir apresentaram recuperação mais rápida da infecção pelo novo coronavírus. A Administração Federal de Alimentos e Medicamentos (FDA) estuda editar uma autorização de emergência para o uso desse fármaco.

O ensaio clínico, conduzido pelo Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (Niaid), estudou mais de mil pacientes gravemente infectados com o novo coronavírus em 75 hospitais em todo o mundo e concluiu que os doentes que foram tratados com Remdesivir apresentaram recuperação 31% mais rápida do que aqueles que apenas receberam um placebo.

O tempo de recuperação com Remdesivir – o antiviral desenvolvido contra o ebola – diminui de 15 para 11 dias. Os cientistas também sugerem que o medicamente pode influir na sobrevivência.

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Segundo o estudo, no grupo de pessoas que recebeu a medicação, 8% morreram, menos 3% do que aqueles que receberam um placebo. Ainda não foi encontrada uma cura para a covid-19 e, por isso, o Remdesivir – produzido pela farmacêutica norte-americana Gilead – poderá ser utilizado para ajudar em melhor e mais rápida recuperação.

Objetivos principais cumpridos

Em comunicado, a Gilead Sciences disse ter “conhecimento dos dados positivos emergentes do estudo do Instituto Nacional das Alergias e Doenças Infecciosas” e que “o ensaio cumpriu os seus objetivos principais”.

Para o diretor do Instituto de Doenças Infecciosas, Anthony Fauci, os dados mostram que o Remdesivir tem efeito claro, significativo e positivo em diminuir o tempo de recuperação. Ele falou na Casa Branca, ao lado do presidente norte-americano, Donald Trump. Fauci considera que foi comprovado que um medicamento pode bloquear esse vírus. “Esse será o padrão de tratamento”, afirmou.

Os especialistas também concordam que os resultados trazem esperança no combate à pandemia. “Esses resultados são realmente promissores. Eles mostram que esse medicamento pode melhorar claramente o tempo de recuperação”, disse o professor e diretor da Unidade de Ensaios Clínicos da Universidade de Londres, Mahesh Parmar, citado pelo jornal “The Guardian”.

O professor lembrou, no entanto, que é necessário garantir certos aspectos antes de disponibilizar amplamente o remédio.

“Os dados precisam ser revistos por entidades reguladoras, que avaliem se o medicamento pode ser licenciado e, em seguida, analisados pelas autoridades de saúde de vários países. Enquanto isso estiver sendo processado, obteremos mais dados a longo prazo desse e de outros estudos.”

Autorização de emergência

Na sequência dos resultados positivos, a FDA pretende emitir autorização de emergência para o fármaco Remdesivir. De acordo com o jornal “The New York Times”, essa autorização pode ser dada na próxima semana.

Em declarações à CNN, a FDA disse estar em negociações com a Gilead Sciences sobre a disponibilização do medicamento aos pacientes:

“Como parte do compromisso da FDA em acelerar o desenvolvimento e a disponibilidade de possíveis tratamentos para a covid-19, a agência tem estado envolvida em discussões com a Gilead Sciences a respeito da disponibilização do Remdesivir aos pacientes o mais rápido possível, conforme apropriado”, disse o porta-voz da FDA, Michael Felberbaum.

Uma autorização de emergência não é equivalente a uma aprovação formal. Significa que em casos de emergência sanitária nacional podem ser usados certos medicamentos, caso não existam alternativas.

Opiniões contraditórias

O Remdesivir está entre os vários medicamentos testados contra o novo coronavírus. Apesar desses resultados positivos, a eficácia do antiviral contra a covid-19 ainda tem informações contraditórias.

Os resultados do estudo do Niaid surgem depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter publicado os resultados preliminares de um primeiro trabalho com esse fármaco, que estava sendo desenvolvido na China. Os resultados mostravam que o Remdesivir tinha fracassado nos primeiros testes, mas a OMS, entretanto, retirou o documento da internet.

A Gilead Sciences criticou o estudo da China, considerando que ainda é cedo para excluir totalmente o potencial do medicamento. Em declaração, a Gilead lamentou os dados publicados, “uma vez que a pesquisa, devido à baixa amostra, foi insuficiente para permitir conclusões estatisticamente significativas. Como tal, os resultados são inconclusivos”.

No estudo realizado na China, entre 6 de fevereiro e 12 de março, em dez hospitais de Wuhan, participaram 237 doentes, dois terços dos quais foram tratados com Remdesivir.

Estudo continua

A revista “The Lancet” publicou um resumo do trabalho, onde é declarado que “o tratamento com Remdesivir não acelera a cicatrização nem reduz a mortalidade da covid-19, em comparação com o placebo”.

“Infelizmente, o nosso ensaio mostrou que, embora seguro e bem tolerado, o Remdesivir não mostrou nenhum benefício significativo em comparação ao placebo”, comentou o autor principal do estudo, o professor Bin Cao, citado em comunicado da “The Lancet”.

O principal pesquisador do ensaio clínico conduzido pelo Niaid, o brasileiro André Kalil, da Universidade de Nebraska, disse à CNN que o medicamento “não é o fim da história” relativamente a possíveis tratamentos para a covid-19. “Temos muito trabalho pela frente. Estamos procurando outras terapias. Vamos continuar com o estudo”, disse Kalil.

 

* A RTP (Rádio e Televisão de Portugal) é a emissora pública de televisão de Portugal.

Remdesivir: em teste nos EUA, antiviral reduziu tempo de recuperação de 15 para 11 dias. Crédito: Reprodução/Twitter

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