Evidência de terremoto citado na Bíblia é encontrada em Jerusalém

Evento foi marcante para os habitantes da cidade naquela época, embora Jerusalém não tenha sido o epicentro do abalo

Ruínas estudadas pelos pesquisadores: o primeiro versículo do Livro de Amós afirma que os eventos que o narrador planeja relatar ocorreram “dois anos antes do terremoto, quando Uzias era rei de Judá”. Crédito: Joe Uziel/Israel Antiquities Authority

Arqueólogos da Autoridade de Antiguidades de Israel e da Fundação Ir David encontraram evidências de um forte terremoto ocorrido em Jerusalém no século 8 a.C. O abalo foi citado no Antigo Testamento. O grupo postou suas descobertas iniciais em sua página no Facebook.

Pesquisas anteriores haviam descoberto evidências de um grande abalo sísmico em Israel há aproximadamente 2.800 anos em locais como Hatzor e Tell es-Safi/Gath, e no leito do Mar Morto. Em Jerusalém, contudo, nenhuma evidência havia sido encontrada. Agora, os pesquisadores encontraram indícios de danos ocorridos em uma escavação no bairro de Silwan, no Parque Nacional Cidade de Davi, juntamente com referências ao terremoto na Bíblia hebraica.

No Livro de Zacarias e no Livro de Amós há descrições sobre os danos causados em Jerusalém muitos anos após o evento, ocorrido quando “Uzias era o rei de Judá”. Isso sugere que o sismo deve ter impactado bastante os habitantes da cidade naquela época. Em artigo no jornal Times of Israel, Amanda Borschel-Dan, os relatos bíblicos mencionam o abalo como um marco histórico, comparável ao que seria hoje a pandemia de covid-19.

Recipientes de armazenamento após restauração. Crédito: Dafna Gazit Israel Antiquities Authority
Camada de destruição

Outro fator importante foi a descoberta de evidências físicas: cerâmicas, lâmpadas, utensílios de cozinha, móveis quebrados e paredes desmoronadas. Os pesquisadores encontraram ainda o que descrevem como uma “fileira de vasos quebrados” que lembra os danos vistos em outros terremotos.

Os artefatos foram cobertos pelos sobreviventes do terremoto, que construíram estruturas em cima deles, criando o que a equipe descreve como uma camada de destruição. Ao olhar para os produtos danificados, os pesquisadores não encontraram nenhuma evidência de incêndio ou dano intencional, como de invasores. Isso deixa um sismo como o candidato mais provável. Eles também observam que a profundidade em que os artefatos foram enterrados ajudou a localizá-los na época do terremoto.

Restos das ferramentas quebradas no terremoto. Crédito: Eliyahu Yanai, Parque Nacional Cidade de Davi
Camada de destruição

Os pesquisadores se surpreenderam com itens encontrados no local da escavação, porque estudos anteriores haviam mostrado que Jerusalém continuou a existir como uma cidade após o terremoto, até a época da destruição da Babilônia, ocorrida aproximadamente 200 anos depois. Segundo eles, parece provável que, embora Jerusalém tenha sido fortemente impactada pelo terremoto, não foi o epicentro dele.

“Terremotos destrutivos em Jerusalém são possíveis, como mostrado pelo bem registrado terremoto de 1927”, disse Israel Finkelstein, arqueólogo da Universidade de Tel Aviv (Israel) que não esteve envolvido na nova pesquisa, ao jornal Times of Israel. “(…) A primeira camada do Livro de Amós inclui materiais relacionados ao século 8 a.C. e, portanto, é possível que um terremoto devastador tenha deixado uma forte impressão e tenha sido registrado.”

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